Delações Premiadas em Inquéritos Sobre Fraudes do INSS e Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, avançou na investigação das fraudes nos descontos do INSS e dos crimes financeiros envolvendo o Banco Master, com a expectativa de receber delações premiadas. O principal acordo de colaboração foi firmado pelo fundador do Master, em 19 de março, com a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal, marcando o primeiro passo para sua delação.
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Processo de Colaboração
Desde a quinta-feira, 19 de março de 2026, a Superintendência da Polícia Federal em Brasília tem acompanhado a delação de Vorcaro, envolvendo Executivos, Legislativos e Judiciários. O ex-banqueiro, que assumiu a relatoria em 12 de fevereiro, substituindo Roberto Barroso (que deixou o cargo em outubro de 2025), deverá responder a todas as perguntas da delegada e dos procuradores, fornecendo provas que sustentem sua versão dos fatos.
A expectativa é que o processo de delação dure entre 30 e 60 dias.
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Homologação e Novos Depoimentos
Após a conclusão dos depoimentos e relatos, o investigado deverá informar todas as informações que possua, sob pena de nulidade do acordo. A Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal avaliarão se há indícios suficientes para prosseguir com o caso.
Caso decidam seguir em frente, encaminharão um pedido ao ministro Mendonça para homologar o acordo. Com a homologação, serão realizados novos depoimentos, registrados e anexados aos autos do inquérito. A validade da delação só será confirmada pela decisão do ministro relator.
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Foco nas Relações de Proximidade
Não há chances de Mendonça aceitar delações seletivas. O delator deverá fornecer todas as informações, ou o acordo será desfeito. A expectativa é que, a partir do segundo semestre de 2026, o efeito dessas delações seja sentido, durante o período eleitoral.
Vorcaro deverá responder sobre suas relações de proximidade com autoridades do Judiciário, do mundo político e reguladores. No entanto, apenas relações que constituam crime serão investigadas, como investimentos em empresas e contratos de prestação de serviços advocatícios, caso haja indícios de corrupção ou advocacia administrativa.
Operação Compliance Zero e Investigação do INSS
A terceira fase da operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva de Vorcaro em 4 de março, também envolve investigações sobre fraudes no INSS. Além do fundador do Master, há pelo menos duas ou três delações referentes a esse esquema.
Uma das questões ainda nebulosas é se o filho do presidente (PT) esteve ou não envolvido com o esquema. Em dezembro de 2025, foi revelado que Lulinha recebia mesada do Careca do INSS.
O vazamento de sua movimentação bancária, de quatro anos, chamou a atenção. A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal manteve a prisão preventiva de Vorcaro por unanimidade, mas o decano Gilmar Mendes criticou o colega Mendonça em seu voto, alertando para o uso de conceitos porosos e elásticos para decretar prisões preventivas, em referência às justificativas de Mendonça para prender Vorcaro.
Mendes citou a Lava Jato, alertando para os abusos e arbitrariedades que ocorreram no passado com as mesmas fórmulas.
