MINISTRO DURIGAN REJEITA NEGOCIAÇÃO DO PIX COM EUA
Ministro Durigan rejeita negociação do Pix com EUA, defendendo o sistema como patrimônio nacional e motor de concorrência no setor financeiro
O Ministro da Fazenda, Durigan, declarou nesta sexta-feira, 18 de junho de 2026, que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, não será objeto de negociação comercial com os Estados Unidos. Em entrevista concedida ao portal Metrópoles, o ministro refutou críticas feitas pelo governo norte-americano, alegando que as manifestações internacionais visam interesses econômicos e buscam pressionar a regulação de grandes empresas de tecnologia no Brasil.
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Defesa do Pix como Patrimônio Nacional e Econômico
Durigan foi enfático ao afirmar que o Pix constitui um patrimônio brasileiro, sendo inviável qualquer tipo de negociação que implique sua substituição ou concessão em acordos bilaterais. Segundo o ministro, o sistema, desenvolvido pelo Banco Central, promoveu uma significativa ampliação da concorrência no setor financeiro nacional.
Essa concorrência, por sua vez, resultou em benefícios diretos para consumidores e empresas brasileiras, caracterizando uma redução de custos operacionais e de transação. Por essa razão, o ministro considerou que o sistema não pode ser alterado por soluções estrangeiras ou por acordos comerciais externos.
As críticas vieram em um contexto de crescente tensão comercial. O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) acusou a tecnologia Pix de prejudicar “injustamente” empresas americanas de serviços de pagamento eletrônico, como Visa, MasterCard e WhatsApp Pay.
Em 2 de junho, o governo dos EUA já havia alegado que o Brasil adota práticas comerciais consideradas “não razoáveis”.
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Contexto Geopolítico e Defesa da Soberania Brasileira
Além da questão financeira, Durigan abordou as declarações recentes do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que em 17 de junho de 2026, durante um evento em Évian-les-Bains, na fronteira com a Suíça, classificou a situação política brasileira como “agressiva e perigosa”.
O ministro classificou tais falas como um favorecimento a setores da oposição e uma clara tentativa de interferência na estabilidade eleitoral brasileira. Durigan garantiu que o país manterá seu curso democrático, afirmando: “Não há qualquer razão para preocupação com a democracia brasileira.
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Nós teremos eleições livres, transparentes e estáveis”.
Em relação às possíveis tarifas comerciais, o ministro criticou a ideia de que os Estados Unidos aumentem sobretaxas sobre produtos brasileiros, classificando a medida como “irracional”. Ele ressaltou que os EUA acumulam superávit na balança comercial com o Brasil, o que contradiz a justificativa para tais tarifas.
Apesar da pressão internacional, Durigan reiterou o compromisso do governo em negociar para evitar novas sobretaxas. Contudo, ele estabeleceu um limite claro: qualquer relação comercial entre as duas nações deve ser pautada estritamente por critérios econômicos e pelo respeito inegociável à soberania brasileira.
O ministro concluiu reafirmando que o Brasil possui instituições sólidas e continuará defendendo seus interesses comerciais e democráticos.
A postura do Ministério da Fazenda busca blindar o desenvolvimento tecnológico nacional e reafirmar a autonomia econômica do país diante das pressões geopolíticas externas.