Ministro do STF critica discursos misóginos e menciona “Matrix” em julgamento importante

Ministro critica discursos misóginos durante julgamento no STF e menciona o movimento “red pill”. Entenda os desafios enfrentados pelo país na luta pela

Ministro critica disseminação de discursos misóginos durante julgamento

Nesta quinta-feira (14), o ministro fez referência ao filme “Matrix” ao criticar a propagação de discursos misóginos durante um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu enquanto se discutiam ações que abordam a constitucionalidade de dispositivos da Lei da Igualdade Salarial, que visa promover a equidade entre homens e mulheres.

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Ao votar, o ministro destacou que o país enfrenta “desafios gigantescos” relacionados à misoginia e à violência de gênero. Ele enfatizou que esses desafios se manifestam na alarmante incidência de estupros e feminicídios, além da proliferação de discursos misóginos.

Referência ao movimento “red pill”

O ministro também mencionou grupos que adotam a expressão “red pill”, um termo inspirado no filme “Matrix”. Segundo ele, essa expressão se refere a um movimento que sugere que os homens estariam sendo oprimidos pelas mulheres. “Por conta da obra cinematográfica, se convencionou chamar de movimento red pill.

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Então seria a pílula da verdade a mostrar que os homens estariam sendo escravizados pelas mulheres”, afirmou.

Origem da expressão “red pill”

A expressão “red pill” surgiu com o filme “Matrix”, lançado em 1999, onde o protagonista deve escolher entre uma pílula azul, que o manteria na ilusão, ou uma pílula vermelha, que o revelaria a realidade. Nos últimos anos, o termo tem sido utilizado por grupos masculinos na internet que alegam uma suposta dominação feminina nas relações sociais e afetivas.

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Especialistas associam esses grupos à disseminação de discursos misóginos e antifeministas nas redes sociais.

Julgamento no STF

O STF está analisando ações que questionam trechos da Lei 14.611/2023, que estabelece medidas para promover a igualdade salarial entre homens e mulheres. A norma exige que empresas com 100 ou mais funcionários publiquem relatórios semestrais de transparência salarial e critérios de remuneração.

Durante seu voto, o ministro ressaltou que o Supremo possui uma “jurisprudência muito exitosa” na proteção dos direitos das mulheres, citando decisões anteriores que afastaram a tese da “legítima defesa da honra” em casos de feminicídio.