Ministério da Saúde implementa nova dose de reforço da vacina contra poliomielite a partir de agosto

A partir de agosto de 2026, todas as crianças com 4 anos de idade receberão uma nova dose de reforço da vacina contra a poliomielite. Essa iniciativa marca o retorno do Sistema Único de Saúde (SUS) ao esquema vacinal que vigorou até 2024, agora utilizando exclusivamente a vacina injetável.
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Até então, o protocolo incluía três doses da vacina injetável, que utiliza o vírus inativado, seguidas por duas doses de reforço com a vacina oral, conhecida como gotinha, feita com vírus enfraquecido.
Alterações no Esquema Vacinal
O Ministério da Saúde decidiu adotar somente a vacina injetável devido ao risco raro de mutação do vírus atenuado presente na vacina oral, que pode levar ao surgimento da doença. Com essa mudança, o novo esquema vacinal passa a ser composto por três doses administradas aos 2, 4 e 6 meses, garantindo a proteção inicial.
Em seguida, serão aplicadas duas doses de reforço: uma aos 15 meses e outra aos 4 anos.
As cinco doses devem ser aplicadas com a vacina injetável. Os responsáveis por crianças que ainda não completaram esse ciclo vacinal devem comparecer às unidades de saúde para verificar se há necessidade de atualização das vacinas. A implementação dessa nova diretriz foi decidida durante uma reunião da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e divulgada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em uma nota técnica na semana passada.
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As novas orientações entram em vigor no dia 3 de agosto.
Importância do Reforço Vacinal
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Isabela Ballalai, enfatiza a importância do reforço vacinal para manter altos os níveis de proteção das crianças. Ela ressalta que a imunidade pode diminuir com o tempo e que é essencial garantir que as taxas permaneçam elevadas. “A pólio está controlada em nosso país.
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Contudo, surtos localizados em outras partes do mundo geram preocupação e podem aumentar o risco de reintrodução do vírus no Brasil. Por isso, é prudente manter um esquema com dois reforços”, explica Ballalai, destacando que essa abordagem está alinhada com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ballalai também aponta que a vacinação é especialmente recomendada para crianças menores de 5 anos, já que essa faixa etária apresenta maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de quadros graves em caso de infecção pelo vírus da poliomielite.
No entanto, em situações de surto, adultos também podem ser vacinados para ajudar a conter a disseminação do vírus.
O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos e recebeu em 1994 o certificado de área livre da circulação do vírus. Apesar desse avanço significativo na erradicação da doença no país, o vírus ainda circula em algumas regiões do mundo.
Portanto, a vacinação continua sendo crucial para prevenir a volta dos surtos que marcaram a história do Brasil entre 1968 e 1989, quando foram registrados mais de 26 mil casos.
A poliomielite é uma doença que geralmente causa sintomas leves; no entanto, ela pode afetar o sistema nervoso central, levando à paralisia e até à morte. Por essa razão, é frequentemente referida como “paralisia infantil”.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



