Milei confirma saída do embaixador argentino em Brasília após crise com Lula e Moraes
A saída do embaixador argentino marca um novo capítulo na crise diplomática, evidenciando tensões entre Milei e os líderes brasileiros.
A crise diplomática entre Brasil e Argentina se intensificou com a confirmação da partida do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, que deixará o país no próximo domingo (9). Essa decisão ocorre após o Itamaraty rebaixar o nível das relações diplomáticas entre as duas nações para encarregados de negócios.
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Fontes diplomáticas argentinas informaram que Raimondi partirá do Brasil pela manhã. A partir de sua saída, a representação argentina em Brasília será liderada pela ministra Maria Emília Cortes, atual chefe de chancelaria da embaixada.
Contexto da crise diplomática
A ruptura nas relações teve início quando Javier Milei participou da Convenção Nacional do Partido Liberal, onde lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Durante o evento, ele proferiu ofensas ao presidente Lula, chamando – o de “presidiário”, e atacou Alexandre de Moraes, referindo – se a ele como “lixo careca”.
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No dia seguinte, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas.
Apesar das medidas adotadas pelo governo brasileiro, Milei seguiu concedendo entrevistas na Argentina e intensificando os ataques. Nos dias seguintes, ele chamou Lula de “ladrão” e “corrupto”, além de acusá – lo de financiar a campanha do ex – ministro Sérgio Massa contra ele nas eleições presidenciais de 2023.
Esse conjunto de insultos levou o Itamaraty a decidir não reenviar o embaixador brasileiro para Buenos Aires.
Cooperação bilateral e análise da crise
Mesmo com o rebaixamento das relações diplomáticas, a cooperação entre Brasil e Argentina permaneceu inalterada. Dois dias após a decisão do Itamaraty, Milei assinou um decreto permitindo a entrada de militares da Marinha Brasileira na Argentina para um exercício militar — uma tradição que se repete desde 1978.
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O decreto também autorizou a entrada de embarcações como fragatas e submarinos nas águas argentinas.
O analista internacional Lourival Sant Anna, da CNN, destaca que essa dinâmica da crise reflete uma estratégia deliberada de Milei. Ele observa: “É evidente que quem está com a iniciativa é Javier Milei. Foi ele que puxou Lula para a briga.” Segundo Sant Anna, Milei utiliza Lula como uma forma de elevar seu próprio perfil político regional e se posicionar como principal antagonista da esquerda na América Latina.
Para Sant Anna, é importante notar que no campo da agressão pessoal, a iniciativa foi de Milei, enquanto que no aspecto diplomático houve uma contaminação provocada pelo Brasil. Ele acredita que uma abordagem mais inteligente seria evitar envolver a diplomacia na disputa pessoal entre os dois líderes.
Perspectivas futuras
Sobre uma possível normalização das relações entre os países, o analista prevê que isso só deve acontecer após as eleições argentinas marcadas para outubro do próximo ano. Nessa ocasião, Milei poderá buscar sua reeleição.