Metrô do Recife: Gastos de 60 Milhões em Trens Usados Suspeitos e Controvertidos

Controvérsias na Compra de Trens Usados para o Metrô do Recife
A aquisição de seis trens usados do Metrô de Belo Horizonte para reforçar a frota do Metrô do Recife gerou questionamentos significativos. O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) levantou preocupações sobre o pagamento de valores superiores ao valor contábil das composições, conforme documentos que o sindicato conseguiu obter.
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O investimento total previsto para a operação é de aproximadamente R$ 60 milhões, com cada trem custando cerca de R$ 10 milhões.
Detalhes da Aquisição
A documentação técnica revela que o custo estimado para adquirir cada trem é de R$ 7,43 milhões, um valor que inclui serviços complementares, fornecimento de peças e suporte técnico. O valor contábil líquido de cada trem, considerando a depreciação acumulada, estaria em torno de R$ 3 milhões.
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Os trens, atualmente utilizados no sistema metroferroviário de Belo Horizonte, concedido ao Grupo Comporte, estão sendo substituídos por novos modelos fabricados na China pela CRRC.
Críticas e Argumentos Técnicos
O Sindmetro-PE criticou a operação, classificando-a como um mau uso de recursos públicos, devido à idade avançada dos trens, à ausência de ar-condicionado e ao uso de tecnologia considerada ultrapassada. A entidade ressaltou que os equipamentos utilizam motores alternadores, um sistema que já havia sido substituído em Recife há duas décadas devido a falhas recorrentes.
Além disso, a entidade expressou preocupação com os custos de manutenção, citando o clima úmido e a proximidade com o litoral como fatores que poderiam acelerar o desgaste dos equipamentos.
Defesa da CBTU e do Ministério das Cidades
Técnicos da CBTU e do Ministério das Cidades defenderam a compra, argumentando que seria a alternativa mais rápida para evitar uma interrupção parcial da Linha Sul a partir de abril de 2027, causada pelo envelhecimento da frota atual. Eles apontaram que o sistema opera com limitações de disponibilidade de trens, com apenas duas composições em circulação nos horários de pico em alguns momentos.
A análise técnica indicava um prazo de 24 meses entre a contratação e a entrega dos novos trens, um período considerado incompatível com a necessidade imediata do sistema.
Operação e Reservas
Os documentos também revelam que apenas quatro dos seis trens devem operar diariamente, enquanto os demais seriam mantidos como reserva operacional. A avaliação da CBTU sugere que as composições de Belo Horizonte possuem condições estruturais adequadas para operar em Recife, desde que recebam suporte técnico e peças sobressalentes.
A negociação ocorre em um contexto de estudos para conceder o sistema metroferroviário do Recife à iniciativa privada, um tema que tem gerado debates sobre investimentos e a recuperação da infraestrutura existente.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.
