Metade das mulheres afegãs sai de casa uma ou duas vezes por mês devido a restrições do Talibã

A ONU Mulheres alerta para o retrocesso dos direitos das mulheres no Afeganistão, onde a liberdade de movimento é severamente restringida pelo Taliban.

Mulher afegã passa por um salão de beleza em Cabul 6 de julho de 2023 REUTERS/Ali Khara

Metade das mulheres afegãs sai de casa apenas uma ou duas vezes por mês devido às severas restrições impostas pelo Taliban, que limitam sua liberdade de movimento e participação na vida pública. Os dados foram divulgados pela ONU Mulheres nesta quarta – feira (12.

No momento em que o Taliban se prepara para celebrar o quinto aniversário de seu retorno ao poder, o Afeganistão permanece como o único país do mundo a proibir meninas de frequentar o ensino médio e mulheres de ingressar na universidade.

A ONU Mulheres destacou que, cinco anos após a tomada do poder pelo Taliban em agosto de 2021, os direitos das mulheres no Afeganistão foram sistematicamente desmantelados. A agência descreveu a situação como um retrocesso sem precedentes na era moderna. “O Afeganistão se tornou um país sem paralelo em termos de violação dos direitos das mulheres”, afirmou a organização em um comunicado.

Impacto nas meninas e mulheres afegãs

Desde que retomou o poder, o Taliban impediu cerca de 2,4 milhões de meninas afegãs de acessar o ensino médio, conforme informou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nesta terça – feira. A ONU Mulheres também revelou que as autoridades talibãs emitiram decretos discriminatórios voltados para mulheres e meninas desde sua ascensão ao poder, institucionalizando a discriminação e aprofundando uma crise de direitos das mulheres considerada a mais grave do mundo.

Apesar da situação alarmante, o Taliban defende que respeita os direitos das mulheres segundo sua própria interpretação da lei islâmica e da cultura afegã. Uma pesquisa realizada pela ONU revelou que mais da metade das mulheres entrevistadas saem de casa duas vezes por mês ou menos, enquanto quase três quartos delas afirmaram sentir – se inseguras ao sair sem um guardião masculino, conhecido como mahram.

A crise não se limita apenas à mobilidade; ela também afetou gravemente a saúde mental das mulheres afegãs. Sete em cada dez entrevistadas relataram que sua saúde mental é “ruim” ou “muito ruim”, citando fatores como isolamento, perda de oportunidades e acesso limitado a redes de apoio.

Desigualdade econômica e jurídica

As recentes medidas do governo talibã têm enfraquecido ainda mais as proteções legais destinadas às mulheres. Este ano, foram introduzidas mudanças que aboliram a igualdade jurídica entre homens e mulheres diante da lei, reforçando a autoridade masculina dentro do casamento e dificultando o processo para as mulheres solicitarem divórcio.

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No aspecto econômico, as condições são igualmente desafiadoras: apenas 7% das mulheres estão empregadas no Afeganistão, em comparação com 84% dos homens. Esses dados foram coletados em uma pesquisa porta a porta com 2.190 pessoas entre fevereiro e março de 2025, além de entrevistas telefônicas com 2.811 indivíduos realizadas entre abril e maio de 2026.

A situação das mulheres no Afeganistão continua crítica, exigindo atenção global contínua e ações concretas para reverter as injustiças impostas pelo regime talibã.