Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia avança! Após décadas de negociações, o Conselho Europeu autoriza o pacto, apesar de objeções.
Nesta sexta-feira (9), o Conselho Europeu autorizou a aprovação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, após longas décadas de negociações. O progresso foi alcançado apesar das objeções levantadas por França, Polônia e Irlanda, que expressaram suas preocupações em relação ao pacto.
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Produtores franceses, em particular, temem que a competitividade dentro do bloco seja afetada e que as importações agrícolas aumentem com a formalização do acordo. Enquanto isso, agricultores realizavam protestos, bloqueando estradas em Paris e em locais icônicos como o Arco do Triunfo.
A resistência ao acordo se concentrou em poucos países, com a Itália apresentando uma posição instável durante as negociações em Bruxelas. Inicialmente favorável, Roma passou a impor novas exigências e, em certos momentos, demonstrou resistência ao texto, gerando expectativa sobre sua decisão final.
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Após semanas de discussões, representantes do setor agrícola italiano começaram a afirmar que se sentiam atendidos pelos termos propostos. A maioria dos países da UE deve ratificar a posição até às 13h (horário de Brasília), conforme confirmado por fontes que acompanham as reuniões em Bruxelas.
O acordo entre Mercosul e UE estava estagnado devido a contestações europeias, especialmente da Itália, que representa cerca de 13% da população da União Europeia e é crucial para a formação de uma maioria qualificada no Conselho. Apesar disso, a maioria dos 27 países da UE aprovou o acordo, que agora aguarda ratificação.
Recentemente, a Comissão Europeia sugeriu antecipar 45 bilhões de euros para agricultores no próximo orçamento plurianual e concordou em reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes, buscando atrair países ainda hesitantes em relação ao acordo.
A Itália apresentou uma última exigência para aprovar o acordo: a diminuição do percentual necessário para ativar salvaguardas. Esse mecanismo permite que a UE suspenda temporariamente as preferências tarifárias na importação de produtos agrícolas sensíveis, como aves e carne bovina, caso essas importações prejudiquem os produtores locais.
Atualmente, o acordo estabelece que, se as importações desses produtos aumentarem em média 8% ao longo de três anos, a UE pode investigar a necessidade de medidas de proteção. A Itália deseja que esse percentual seja reduzido para 5%. Países como Alemanha e Espanha apoiam o pacto, acreditando que ele ampliará o acesso de suas indústrias a um mercado de mais de 280 milhões de consumidores no Mercosul.
Dentro do governo brasileiro, há otimismo em relação ao acordo. Autoridades acreditam que o Brasil cumpriu sua parte nas negociações e consideram que as resistências dos agricultores europeus são normais em acordos dessa natureza. O governo brasileiro também percebe sinais claros de que a Itália está inclinada a votar a favor do tratado.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.