Mercado Financeiro Brasileiro em Queda: Incertezas e Revisões da Selic Preocupam Investidores

O mercado financeiro brasileiro enfrenta um dia negativo, com investidores preocupados com inflação e juros. Descubra as previsões impactantes para a Selic!

(Imagem de reprodução da internet).

Mercado Financeiro Brasileiro Enfrenta Dia Negativo

Na quarta-feira (3), o mercado financeiro brasileiro registrou mais um dia de perdas. Os investidores continuam lidando com preocupações já conhecidas, como as incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio e uma aversão global ao risco. Um novo fator que tem se destacado é o crescente desconforto em relação às expectativas de inflação e juros no país.

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Marcelo Fonseca, economista da CVPAR, afirma: “O ambiente econômico à frente vem mostrando sinais de deterioração com os problemas no crédito, e a queda da Selic ajudaria a atravessar esse período. Com a Selic mais alta, a economia deve ter uma boa ressaca em 2027.”

Revisões nas Expectativas da Selic

Em meio a um cenário inflacionário mais pressionado, diversas instituições financeiras têm revisado suas projeções para a taxa básica de juros, a Selic, ao final deste ano. O Citi e o Itaú agora projetam a Selic em 13,75% ao ano, enquanto Pine, XP e JPG já esperam juros em 14% ou mais até o fim de 2026.

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Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, destaca que “essas revisões ocorrem em um momento de deterioração das expectativas de inflação, já incorporando os impactos secundários do choque de petróleo e os efeitos adicionais do El Niño, que adicionam um viés de alta para alimentação no domicílio.”

Além disso, o boletim Focus, publicado na segunda-feira (1º) pelo Banco Central, aponta que há 12 semanas as expectativas de inflação têm aumentado. O BTG Pactual foi o mais recente a revisar suas previsões, reconhecendo que o BC deve voltar a cortar a Selic em 0,25% na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

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João Daronco, analista CNPI da Suno Research, comenta: “Isso tem acontecido por diversos fatores, mas, principalmente, pelo conflito. O mercado precifica atraso no corte das taxas de juros, o que faz com que os investidores diminuam sua posição em renda variável.”

Impactos da Aversão ao Risco

Com a aversão global ao risco agravada pelos novos ataques entre os Estados Unidos e o Irã, o índice B3 fechou em 170.330,63 pontos. O dólar à vista também teve alta de 1,12%, cotado a R$ 5,0661. O mal-estar em relação às perspectivas de inflação e juros, somado à guerra e ao novo tarifaço dos EUA contra o Brasil, resultou em um aumento acima de 30 pontos-base em alguns vencimentos.

Bruna Centeno, economista e sócia na Blue3 Investimentos, explica: “A curva de juros capturou esse movimento, uma vez que o mercado projeta uma inflação maior e os bancos centrais precisem ser mais agressivos.”

Ela acrescenta que “esse movimento pesa sim em cima da bolsa, uma vez que a taxa de juros entra na conta de custo, reflete em diminuição de margem de receita e gera aversão forte ao risco.” Nesse contexto, os investidores tendem a realizar lucros e buscar ambientes mais estáveis.

Fabio Louzada, economista e sócio-fundador da B7 Business School, alerta que a situação pode dificultar ainda mais o controle da inflação, aumentando a probabilidade de juros elevados por um período prolongado. “Como consequência, a curva de juros avança tanto nos vencimentos mais curtos quanto nos mais longos, e a perspectiva de juros elevados por mais tempo também contribui para o fortalecimento do dólar,” conclui.