Relato de Médico Iraniano Sobre Caos em Hospitais e Ruas
Um médico iraniano compartilhou um relato raro sobre a situação caótica nos hospitais e nas ruas, após a repressão violenta do regime contra os manifestantes. Ele tratou dezenas de pacientes com ferimentos de balas e chumbinho ao longo de vários dias.
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Desde que deixou o país, ele se sente mais seguro para contar sua história, mas prefere permanecer anônimo para proteger sua segurança e a de sua família.
O médico descreveu que a situação no hospital “desmoronou” na noite de quinta-feira, quando a violência se intensificou. Em entrevista ao veículo IranWire, ele explicou que presenciou o que na medicina é chamado de “múltiplas vítimas”, onde a demanda por atendimento supera a capacidade disponível.
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Ele teve que fazer triagem dos pacientes, priorizando aqueles com maior chance de sobrevivência até que uma sala de cirurgia estivesse livre.
Mudança nos Ferimentos e Presença de Forças de Segurança
Na madrugada de quinta para sexta-feira, o tipo de ferimentos que ele tratava mudou drasticamente. “Foi como se uma ordem tivesse sido dada: ‘Agora usem munição real'”, relatou. Ele também mencionou que, na noite de sexta-feira, ouviu o som de rajadas de metralhadoras pesadas, em vez do estalo característico de um fuzil de assalto.
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Impacto da Repressão e Situação Atual no Irã
O médico expressou sua preocupação com a situação no país, afirmando que “a vida está paralisada”. Ele destacou que a esperança foi praticamente extinta, e as pessoas vivem sob um clima de terror e impotência. Desde o início das manifestações contra o regime no final de dezembro, a repressão tem sido intensa, com a organização Human Rights Activists News Agency (HRANA) reportando pelo menos 18.137 prisões até o momento.
A CNN não consegue confirmar de forma independente os números apresentados pela HRANA, que se baseia em casos identificáveis. Com o bloqueio contínuo da internet no Irã, é possível que o número real de detenções e feridos seja ainda maior.
