Maria Rita Catonio Barbosa alerta sobre impactos econômicos da proposta de jornada de trabalho 6×1

A proposta de jornada de trabalho 6×1 gera preocupações sobre o aumento dos custos operacionais e seu impacto na economia, afetando preços e a cadeia produtiva

21/06/2026 10:11

3 min

Mudança pode resultar em inflação
Mudança pode resultar em inflação

O debate sobre a possível extinção da jornada de trabalho 6×1 tem gerado apreensão em diversos setores da economia brasileira. Maria Rita Catonio Barbosa, representante de uma entidade do setor, expressou preocupações em relação às consequências econômicas que a medida pode acarretar caso seja aprovada nos moldes atuais na Câmara dos Deputados.

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Consequências da Redução da Jornada

Segundo Maria Rita, a principal inquietação é que a redução da carga horária não será acompanhada por um ajuste proporcional no custo da hora trabalhada. “Isso automaticamente elevará o custo da hora trabalhada”, afirmou. Embora a proposta possa parecer vantajosa à primeira vista, suas repercussões são amplas e complexas. “Alguém vai pagar essa conta, e não serão apenas as empresas”, completou.

A representante detalhou como o aumento dos custos pode se espalhar por toda a cadeia produtiva. Companhias que precisarem diminuir a jornada de trabalho provavelmente terão que contratar mais funcionários para manter o nível de produtividade, o que resultará em um aumento das despesas operacionais.

Esses custos adicionais seriam repassados ao consumidor final, mesmo que parcialmente. Maria Rita exemplificou: “A indústria metalúrgica que produz chapa de aço enfrentará custos mais altos e, consequentemente, venderá o produto mais caro; isso impactará também as fábricas de eletrodomésticos e as lojas.” O mesmo raciocínio se aplica a pequenos estabelecimentos, como padarias, cujos preços também sofreriam ajustes.

Comparações com Outros Países

A especialista questionou as comparações entre o Brasil e países que possuem jornadas de trabalho mais curtas, como Luxemburgo e Irlanda. Ela destacou que Luxemburgo é considerado o país mais produtivo do mundo, com uma média de 35,6 horas semanais e um limite legal de 40 horas.

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No entanto, esse país apresenta uma produtividade sete vezes superior à do Brasil. “Não podemos fazer essa comparação com esses países”, enfatizou Maria Rita, ressaltando que eles têm melhor infraestrutura, menor informalidade e maior grau de automação.

No contexto da indústria de transformação brasileira, Maria Rita apontou uma queda de 9% na produtividade entre 2019 e 2024. Com a proposta de redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais, seria necessário um aumento de 8,5% na produtividade apenas para manter os níveis atuais de produção. “O impacto será monstruoso nesse aspecto”, avaliou.

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Propostas Alternativas

Para Maria Rita, uma alternativa viável seria promover negociações coletivas que considerem as particularidades de cada setor, região e categoria profissional. Ela apontou que o Brasil possui realidades muito distintas entre seus municípios e estados e que tratar todas as regiões como homogêneas seria inadequado. “Não posso equiparar o Rio de Janeiro a outras áreas com contextos completamente diferentes”, afirmou.

Sobre as discussões com o governo federal e parlamentares, Maria Rita revelou que a entidade tem buscado participar ativamente das audiências públicas para apresentar suas preocupações. Contudo, até agora apenas uma audiência foi realizada. “Nossa intenção é demonstrar todos os impactos econômicos que podem ocorrer se a PEC avançar sem considerar as especificidades regionais e setoriais”, concluiu.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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