Operações policiais na Maré: 160 mortes e 1.538 violações! Relatório chocante revela impactos devastadores na comunidade. Saiba mais.
Um projeto de pesquisa examinou o período entre 2016 e 2025, identificando 231 operações policiais realizadas no conjunto de 15 favelas do complexo da Maré. Essas ações resultaram em 160 mortes e 1.538 incidentes de violência e violações de direitos dos moradores, incluindo ameaças, tortura e cárcere privado.
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Os dados, parte de um monitoramento independente da segurança pública, foram produzidos pelo Eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça, da Redes da Maré, que documenta as condições enfrentadas na comunidade.
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As operações policiais causaram o fechamento de 163 dias de unidades escolares públicas na Maré, representando uma perda de cerca de um ano letivo para crianças e adolescentes. Além disso, durante o fechamento de 14 dias de unidades de atendimento de saúde, 7.866 acompanhamentos médicos foram interrompidos.
A Redes da Maré destaca que esses impactos “desrespeitam repetidamente” os direitos básicos da população local, como acesso à educação e saúde.
Em 2025, foram registradas 16 operações policiais na Maré, com 12 mortes. A coordenadora do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça, Tainá Alvarenga, enfatiza que esses dados são cruciais para acionar mecanismos de responsabilização e definir ações de combate à violência.
Em agosto de 2024, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro questionou o Ministério da Educação sobre diretrizes para lidar com os impactos das operações policiais na educação, buscando compensar a perda de dias letivos. Em resposta, o Conselho Nacional de Educação instituiu o Fórum pelos 200 Dias Letivos e uma Comissão Permanente de Acompanhamento, com a participação da Redes da Maré.
A Redes da Maré tem realizado um monitoramento contínuo da violência na Maré desde 2007, coletando dados e evidências sobre as operações policiais. A equipe registrou mais de 308 marcas de tiros em áreas públicas após as operações. Tainá Alvarenga destaca que o trabalho da organização é fundamental para a definição de políticas públicas eficazes.
A pesquisa aponta para um padrão de violações de direitos que persiste há décadas, e a mobilização da sociedade civil é vista como um elemento chave para enfrentar esse desafio.
O uso de helicópteros como plataforma de tiro durante as operações policiais é um ponto de preocupação. A equipe da Redes da Maré registrou o uso de helicópteros em oito das 16 operações em 2025, e em quatro dessas ocasiões, houve o uso da plataforma como local de tiro.
A organização destaca que esse tipo de ação contribui para o aumento da letalidade na comunidade.
A coordenadora Tainá Alvarenga expressa a esperança de que o relatório lançado na próxima terça-feira, durante o 3º Congresso Internacional Falando sobre Segurança Pública na Maré, possa influenciar a definição de políticas públicas. Ela ressalta a importância de um trabalho de base comunitária, territorializado, que colha informações em tempo real e que envolva a população da Maré na produção de conhecimento sobre a segurança pública.
A Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que a instituição desconhece a metodologia utilizada na pesquisa e que atua com base em critérios técnicos e inteligência. A secretaria enfatiza que todas as ações são pautadas pelos princípios da legalidade e que a instituição busca proteger a sociedade e responsabilizar criminosos.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.