A Marcha da Memória: Um Legado de Desaparecimentos na Argentina
Em um momento crucial da história, a marcha pela memória se torna um símbolo de luta por direitos humanos, reunindo a Argentina e o Brasil em um ato de homenagem às vítimas da última ditadura militar argentina (1976-1983). A manifestação, prevista para as 14h de terça-feira (24), representa um marco na busca por justiça e verdade, reunindo diversas organizações e convidados internacionais em memória de nomes como Francisco Tenório Cerqueira Júnior.
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O evento, organizado pela La Campora (Argentina) e com a participação do Núcleo do PT na Argentina, visa honrar a memória de 11 brasileiros e quatro filhos de pais brasileiros que desapareceram durante o período da ditadura. Entre os homenageados está Francisco Tenório Cerqueira Júnior, músico que acompanhou Toquinho e Vinicius de Moraes em turnês pela América Latina, sendo sequestrado por agentes de repressão em março de 1976, poucos dias antes do golpe de Estado.
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A pesquisa da pesquisadora argentina Gabriela Llaser, da Universidade de Buenos Aires, foi fundamental para reunir informações sobre o número de estrangeiros vítimas da repressão, um tema até então pouco explorado.
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Llaser, com base em extensa documentação, conseguiu mapear o percurso de diversas vítimas brasileiras, incluindo Roberto Rascado Rodriguez, Sidney Fix Marques dos Santos e Maria Regina Marcondes Pinto, entre outros. Cada um desses indivíduos, com diferentes trajetórias e envolvimentos políticos, se tornou vítima da violência e da impunidade do regime militar.
A iniciativa busca resgatar suas histórias e garantir que seus nomes não sejam esquecidos.
A marcha da memória se destaca em um contexto de crescente preocupação com os avanços recentes no governo de Javier Milei, que tem implementado políticas revisionistas em relação à memória da ditadura. O desmonte das instituições responsáveis pela investigação e pela preservação da memória, como a Secretaria de Direitos Humanos da Nação e o Programa Verdade e Justiça, tem gerado alertas sobre o risco de negação e impunidade.
A cartografia lançada pelo Cels, que mapeia espaços de resistência à repressão estatal, busca ampliar a visibilidade das vítimas e fortalecer a luta por justiça.
A iniciativa também se conecta com novas iniciativas de cooperação militar e de segurança entre países latino-americanos e os Estados Unidos, que levantam preocupações sobre a retomada de modelos de intervenção e a ameaça à soberania regional.
A memória da Operação Condor e o legado da repressão transnacional continuam a ser temas relevantes, exigindo vigilância e denúncia.
A lista de vítimas, elaborada com base em informações da Comissão Nacional da Verdade do Brasil, é um testemunho da complexidade e da extensão da repressão durante o período da ditadura. Cada nome representa uma história de luta, resistência e desaparecimento, um lembrete constante da importância de preservar a memória e de buscar justiça para as vítimas e seus familiares.
