Marcha da Família e Deus: O Medo Vermelho que Desencadeou o Golpe em 1964

Marcha da Família e Deus: O golpe que abalou o Brasil em 1964! 😱 Jango alertou contra ameaças e a manifestação em SP foi o gatilho? Descubra!

4 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

A Marcha da Família e Deus: Uma Engrenagem Política Complexa

Na noite de 13 de março de 1964, o Rio de Janeiro estava sob o peso de uma tempestade política. O então presidente provisório, João Goulart, proferiu um discurso que, sem saber, desencadearia uma série de eventos que culminariam no golpe militar de 1964.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A fala de Jango, que abordava a restrição das remessas de lucro estrangeiro e a promessa de reforma agrária, ecoou em Brasília, nos gabinetes das corporações multinacionais e nos corredores de Washington, nos EUA. A mensagem, carregada de um discurso de mudança, gerou forte reação entre setores conservadores.

Em Belo Horizonte, dias antes, um grupo de senhoras, liderado pelo vice-presidente João Goulart, havia sido impedido de discursar. Essas mulheres, munidas de terços como escudos contra o que consideravam uma ameaça “vermelha”, alertaram sobre os perigos de uma possível revolução.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A advertência de Goulart, proferida na Central do Brasil, não seria ignorada por muito tempo.

A Manifestação em São Paulo: Um Movimento Espontâneo?

A resposta à advertência de Goulart surgiu menos de uma semana depois, não em orações silenciosas, mas em uma manifestação pública e organizada. Em São Paulo, milhares de pessoas, incluindo mulheres, homens e crianças, se reuniram para participar da Marcha da Família e Deus pela Liberdade.

LEIA TAMBÉM!

O objetivo era demonstrar apoio ao governo Goulart e oitava a reforma agrária. A marcha, que se tornou um símbolo da oposição ao governo, foi organizada por diversos grupos religiosos e políticos.

O Papel da Cruzada do Rosário em Família

A Cruzada do Rosário em Família, liderada pelo padre Patrick Peyton, desempenhou um papel fundamental na mobilização da marcha. A cruzada, que se espalhou por todo o Brasil, incentivava a recitação do terço como forma de proteção contra o comunismo.

A marcha em São Paulo foi uma extensão dessa cruzada, um momento de expressão coletiva da fé e do medo do comunismo.

A Influência da CIA e o Capitalismo

No entanto, a história da marcha não é apenas a história de uma manifestação popular. A influência da CIA e de setores do empresariado brasileiro também foram cruciais. A agência americana, através de intermediários como Peter Grace, financiou e organizou a cruzada, buscando fortalecer a oposição ao governo Goulart.

Grandes corporações americanas e empresários brasileiros também injetaram recursos no movimento, visando proteger seus interesses econômicos.

Uma Narrativa de Salvaguarda

A estratégia utilizada foi criar uma narrativa de “salvaguarda”, apresentando o golpe militar como a única forma de evitar a implantação de um regime comunista. As mulheres que participavam da marcha acreditavam estar apelando a todos os tipos de ajuda possível, mobilizando não apenas a fé, mas também a mídia, as paróquias e a estrutura da Igreja Católica.

A marcha, nesse sentido, foi um momento de catarse coletiva, um esforço para salvar o Brasil do comunismo.

Conclusão

A Marcha da Família e Deus pela Liberdade foi um evento complexo e multifacetado, envolvendo atores políticos, religiosos e econômicos. A marcha demonstrou que o golpe de 1964 possuía um lastro social significativo no meio urbano, especialmente nas classes média e alta.

A influência da CIA e do empresariado brasileiro, aliada à mobilização da Cruzada do Rosário em Família, contribuiu para o sucesso da marcha e, consequentemente, para o golpe militar.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

Sair da versão mobile