Marcele Oliveira Defende Voz Indígenas COPs Belém

A busca por soluções de adaptação às mudanças climáticas é um tema central nos debates internacionais, especialmente nas Conferências das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COPs). Nesse contexto, a ativista Marcele Oliveira aponta que muitas respostas para enfrentar essa crise já existem em territórios preservados no Brasil.
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Para ela — comunicadora e pesquisadora —, o conhecimento ancestral detido pelos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, camponesas e periféricas representa uma fonte vital; contudo, falta oportunidade real desses grupos se manifestarem nesses grandes fóruns globais.
Essa visão foi reforçada após sua participação na Caatinga Climate Week, realizada pelo Centro Sabiá e Instituto Socioambiental (ISA) durante um encontro chamado CCW, sediado por acaso de Recife (PE), ainda neste ano.
O protagonismo dos saberes locais nas COPs
Na COP 30 em Belém (PA), que ocorreu no mês passado com força crescente nos debates climáticos, Marcele Oliveira destacou a necessidade urgente de dar voz àqueles cujas vidas são moldadas diariamente pelos efeitos da crise ambiental global. Segundo ela, o conhecimento acumulado nessas comunidades não pode ser ignorado pelas negociações internacionais sobre clima.
A ativista foi escolhida pelo governo brasileiro como Jovem Campeã do Clima na mesma edição e levou essa perspectiva para os eventos realizados por RecifePE. O encontro CCW concentrou discussões vitais ao colocar um bioma específico — o semiárido pernambucano – em foco central das estratégias adaptativas contra aquecimento climático.
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Da periferia carioca às demandas de justiça climática
O engajamento político – ambiental da comunicadora começou, segundo ela própria, com a experiência cotidiana morando nas áreas periféricas do Rio de Janeiro. Ela recorda que cresceu no bairro Realengo percebendo uma disparidade: enquanto outras regiões possuíam mais parques ou museus e espaços verdes para lazer, seu trajeto diário não tinha nada disso disponível na Mata Atlântica local.
Esse incômodo inicial fez Marcele perceber o valor dessa luta pela criação urbana em sua comunidade; hoje entende ativismo climático também como um ato profundo de reconhecimento à condição humana ligada ao território onde se vive.
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Para além desse viés pessoal, os eventos da COP 30 abriram espaço crucialmente importante Marcele Oliveira enfatiza ainda que discutir adaptação é intrinsecamente ligado à discussão por justiça climática global Ela argumenta veementemente: “Alguém tem que pagar essa conta”. Segundo sua análise, são justamente os países desenvolvidos quem deve assumir grande responsabilidade financeira pelas medidas de adaptação. Isso porque foram eles capazes se industrializar antes dos demais povos emitindo grandes volumes de gases; portanto, o problema envolve uma profunda questão histórica de desigualdade na construção da própria economia mundial
Resiliência aprendida nos biomas brasileiros
A chance do Sul Global ocupar maior protagonismo nas negociações climáticas globais com suas próprias perspectivas sobre a crise ambiental que afeta as populações mais vulneráveis e menos responsáveis pelo aumento das emissões históricas.**
Se as soluções para a crise exigem cooperação em escala planetária, Marcele defende um ponto prático e fundamental aos negociadores internacionais do clima. Eles precisam aprender com aqueles territórios cujos habitantes convivem há séculos diretamente com eventos climáticos extremos já ocorrendo no Brasil inteiro.
Essa percepção foi consolidada durante sua visita à Caatinga Climate Week (CCW). Foi ali que ela começou a entender como os próprios ciclos naturais desse semiárido desenvolveram estratégias incríveis de adaptação frente tanto às secas quanto ao excesso de chuvas.
A ativista conclui: “Quem me apresentou essa realidade foram amigos… A própria caatinga sabe lidar”.
Assim, o encontro não apenas lembrou da importância do evento COP 30 em BelémPA; ele reforçou uma verdade maior para todos os biomas brasileiros. Marcele Oliveira afirma concluir por fim que resiliência é sinônimo aprender com quem já possui esse conhecimento fundamental e profundo sobre seu próprio território.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



