Manuel Marrero apresenta medidas econômicas ao Parlamento cubano visando privatização e apoio

O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero, apresentou nesta quinta-feira, 18 de maio de 2026, um conjunto abrangente de medidas econômicas ao Parlamento cubano, que conta com o apoio do Partido Comunista e do ex-líder Raúl Castro. As propostas visam a privatização significativa de setores da economia socialista cubana, como resposta às rigorosas sanções impostas pelos Estados Unidos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Se aprovadas pela Assembleia Nacional, essas reformas poderão representar a transformação mais significativa no modelo econômico do país desde a Revolução de 1959.
Reformas Econômicas e Suas Implicações
As medidas apresentadas por Marrero têm o potencial de abrir caminho para o desenvolvimento do setor imobiliário privado em Cuba e transformar empresas estatais em sociedades comerciais com ações e participações acionárias. Além disso, as propostas incluem a entrada de bancos privados no sistema financeiro da ilha, que historicamente foi controlado pelo Estado.
Outra mudança relevante é a redução da burocracia enfrentada por empreendedores e empresas privadas, o que poderia estimular o crescimento econômico local.
Durante sua apresentação, o presidente Miguel Díaz-Canel enfatizou a urgência dessas reformas em um discurso dirigido ao Politburo do Partido Comunista. Ele argumentou que é necessário “liberar a produção” para aumentar a oferta e minimizar as restrições econômicas impostas pelas sanções dos EUA.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A lista completa das 175 medidas foi apresentada em um discurso que durou quase duas horas e agora aguarda votação na Assembleia Nacional.
Apoio Político e Contexto Atual
O sistema político cubano, caracterizado por um partido único sob liderança comunista, geralmente aprova as propostas governamentais por unanimidade. Dirigentes do partido descreveram as reformas como abrangentes, mas ainda alinhadas aos princípios socialistas fundamentais do governo.
Leia também
As sugestões discutidas há meses ou até anos voltaram à pauta em meio ao agravamento da crise econômica que afeta o país.
Raúl Castro, que foi indiciado nos Estados Unidos por acusações de homicídio em maio deste ano, expressou seu apoio às propostas através de uma carta ao Politburo na quarta-feira (17). Ele as classificou como “benéficas” e pediu rapidez na implementação das mudanças.
A economia cubana enfrenta sérias dificuldades, incluindo restrições no fornecimento de petróleo, levando ao êxodo de empresas estrangeiras e ao colapso da indústria turística devido a apagões prolongados e à escassez de bens essenciais como combustível, água e medicamentos.
Com a implementação dessas reformas, Cuba poderá dar um passo importante rumo à adaptação necessária para enfrentar os desafios impostos por fatores externos e internos. A expectativa é que essa mudança signifique não apenas uma nova fase para a economia cubana, mas também uma resposta estratégica às pressões externas que têm afetado profundamente o país nos últimos anos.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



