Manchas Verdes na Praia do Bessa: Fenômeno Natural e Não Contaminação
A recente ocorrência de manchas esverdeadas na areia da Praia do Bessa, em João Pessoa (PB), gerou grande curiosidade e especulações nas redes sociais. Com palpites que iam desde suspeitas de esgoto até o temor de contaminação ambiental, a situação chamou a atenção de ambientalistas e especialistas locais.
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No entanto, a explicação para o fenômeno é bem mais simples e natural do que se imaginava.
Explicação dos Especialistas
Segundo especialistas, como David Caribessa, fundador da Caribessa, empresa de turismo sustentável, as manchas são resultado de processos naturais impulsionados por algas marinhas e fezes de tartarugas-verdes, uma espécie comum na região. Caribessa enfatizou que a matéria orgânica presente nas manchas não representa risco à saúde humana ou ao meio ambiente, servindo até como um indicador de ecossistema saudável.
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O ambientalista explicou que as tartarugas-verdes, ao se alimentarem de algas nos recifes próximos ao Bessa, excretam resÃduos de coloração esverdeada ou marrom-clara. Esses resÃduos, combinados com fragmentos de algas trazidos pelas correntes marÃtimas, se acumulam na praia durante perÃodos de maré baixa e ventos fortes, formando as manchas que se espalham pela areia.
O Ciclo Natural
O processo é cÃclico e positivo. As correntes marÃtimas intensas empurram algas e resÃduos para a costa, enquanto as tartarugas, ao se alimentarem diariamente nos recifes, contribuem para esse ciclo natural. Caribessa, que monitora a área há 19 anos, ressaltou a importância de desmistificar o fenômeno, alertando para o risco de desinformação prejudicar o turismo local.
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Ele detalhou que, se as correntes de Leste e Nordeste estivessem trazendo esgoto, haveria um cheiro forte, água escura com espuma preta e a presença de coliformes fecais, o que não ocorre nesse caso. As manchas são compostas por algas marinhas e fezes de tartarugas, que se acumulam na areia durante perÃodos de maré baixa e ventos fortes.
Impacto no Turismo e na Economia Local
O debate nas redes sociais, impulsionado por fotos e vÃdeos das manchas, gerou preocupação, especialmente considerando a importância da Praia do Bessa como ponto de ecoturismo e o cuidado da Caribessa com o resgate de tartarugas e o monitoramento ambiental, em parceria com associações como a Guajiru e o Corpo de Bombeiros da ParaÃba.
A Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) também fiscalizou a ocorrência de fezes nas praias de Tambaú e ManaÃra, em João Pessoa.
O superintendente Marcelo Cavalcanti detalhou que a fiscalização é realizada regularmente em diversas praias da orla pessoense, incluindo Areia Vermelha, as piscinas do Seixas, do Bessa, da Penha e de Picãozinho, com o objetivo de orientar os proprietários de catamarãs sobre as práticas de conservação.
O fenômeno não é exclusivo da ParaÃba; manchas semelhantes de algas e resÃduos orgânicos de tartarugas marinhas são registradas periodicamente em outras praias do Brasil, como as de Fernando de Noronha (PE) e da Costa Verde (RJ).
Em Alagoas e Rio Grande do Norte, ambientalistas do Ibama intervêm para educar a população sobre a origem das manchas. No Sul, o Projeto Tamar monitora o acúmulo de algas e registra o aumento na população de tartarugas-verdes devido a esforços de conservação.
Nacionalmente, o tema ganha relevância em debates sobre mudanças climáticas, que alteram padrões de correntes marÃtimas e aumentam a visibilidade desses processos naturais.
