Mali: Ataques Consolidam Governo Após Crise e Perdas no Norte
Mali Fortalecido Após Ataques, Segundo Especialista
A recente onda de ataques que sacudiram o Mali, com o objetivo de derrubar o governo, acabou por consolidar o poder no país, segundo o cientista político Ovigwe Egeugu. O analista, conhecido por sua expertise sobre a África, foi ouvido pelo Brasil de Fato. “Vimos um avanço jihadista sendo revertido e, em termos de estabilidade política, o que ocorreu foi uma consolidação do regime, unindo o país em vez de deixá-lo fragmentado”, explicou Egeugu, também do centro de estudos Development Reimagined, na Nigéria.
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O especialista ressaltou que a população, após os ataques, demonstrou confiança no governo, sentindo-se segura devido à rápida resposta do governo em proteger a capital. “A população viu que, em apenas 72 horas, o governo conseguiu responder ao ataque e proteger a capital”, afirmou Egeugu.
Ataques Coordenados e Consequências
Os ataques do final de abril, envolvendo grupos jihadistas e separatistas tuaregues, representam os maiores em 15 anos. A cidade de Kidal, no norte do Mali, caiu nas mãos dos rebeldes, resultando em vítimas, incluindo o ministro da Defesa, Sadio Camara, figura central na revolução nacionalista que assumiu o poder em 2021.
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A situação demonstra a complexidade do cenário político e de segurança no país.
Relações Internacionais e Acusações
Egeugu mencionou que, embora não haja evidências concretas de financiamento dos grupos atacantes por parte do governo de Bamaco, há indícios de laços com a França. A potência colonial tem sido alvo de críticas devido à sua expulsão da região, impulsionada pelas revoluções nacionalistas da década, e acusada de apoiar grupos separatistas e terroristas, como os tuaregs do FLA, para desestabilizar governos e retomar o controle de recursos. “O governo francês de Nicolas Sarkozy utilizou o FLA para derrubar Gaddafi [líder líbio deposto em 2011] e seu atual comandante, Ilias Gally, recebeu assistência francesa durante um tratamento médico em uma clínica argelina”, declarou Egeugu.
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A Moeda CFA e o Legado Colonial
A França manteve o controle sobre suas ex-colônias através da estrutura neocolonial baseada na moeda CFA, controlada por Paris e que garantia o “direito de preferência” sobre recursos naturais, como ouro e lítio. Essa situação é vista como uma das principais causas da pobreza dos países do Sahel.
O cientista político enfatiza que os governos militares sahelianos, como o de Assimi Goïta, estão promovendo uma ruptura com esses acordos coloniais.
Novos Rumos e Perspectivas
Egeugu destaca que a população acredita na capacidade coletiva e na soberania nacional, o que elevou a autoestima das nações. “A população passou a acreditar na capacidade coletiva e na soberania nacional. Aconteceu uma elevação significativa na autoestima das nações, tão massacradas”, explica o analista.
Em Burkina Faso, o governo retomou o controle de grande parte do território, antes dominado por terroristas fundamentalistas islâmicos. Além disso, há avanços em setores estratégicos, como a produção de ouro (nacionalizada) e investimentos em lítio e agricultura, visando a autossuficiência.
O cientista político conclui que a presença russa, que oferece apoio militar às revoluções nacionalistas, é vista pelos sahelianos como uma alternativa viável, especialmente após a fase do Grupo Wagner.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



