Maersk surpreende com lucro, mas custos disparam por causa da guerra com o Irã

Maersk supera previsões de lucro, mas enfrenta aumento de custos devido à guerra com o Irã
O grupo de transporte marítimo Maersk anunciou na quinta-feira que superou as expectativas de lucro para o primeiro trimestre, mas alertou que a guerra com o Irã elevou seus custos de combustível em quase US$ 500 milhões mensais. A empresa destacou que a crise energética deve persistir, mesmo que um acordo de paz seja alcançado.
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Após a divulgação dos resultados, as ações da Maersk caíram 6,5% às 11h, apresentando desempenho inferior ao índice de referência de Copenhague, que permaneceu praticamente estável. O CEO da Maersk, Vincent Clerc, informou que a guerra adicionou cerca de 3 bilhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente US$ 472,7 milhões) aos custos mensais da companhia, com o preço do combustível variando de cerca de US$ 600 para quase US$ 1.000 por tonelada métrica.
Desafios na repasse de custos e projeções de crescimento
Clerc mencionou que a Maersk conseguiu, até agora, recuperar esses custos por meio de renegociações contratuais e aumentos nas taxas à vista, mas alertou que a crise energética não se resolverá com o fim do conflito. “As expectativas são de que ela dure, no mínimo, mais alguns meses, possivelmente muitos mais meses”, afirmou em coletiva de imprensa.
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O CEO também destacou que repassar os custos elevados aos clientes tem sido um desafio, embora a empresa tenha conseguido gerenciar a situação até o momento. “Eles entendem, mesmo que não gostem, por que temos que fazer isso”, disse Clerc, ressaltando que não é viável simplesmente absorver esses custos.
Resultados financeiros e impacto da guerra nas cadeias de suprimentos
No primeiro trimestre, a Maersk registrou lucros de US$ 1,73 bilhão, superando a previsão mediana de US$ 1,66 bilhão, mas ainda assim inferior aos US$ 2,71 bilhões do mesmo período do ano anterior. É importante notar que o primeiro trimestre não reflete totalmente o impacto da guerra com o Irã nas cadeias de suprimentos globais, uma vez que o conflito começou em 28 de fevereiro, após ataques coordenados dos EUA e Israel.
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A guerra resultou no fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial, interrompendo rotas marítimas. Um porta-voz da empresa informou que seis navios estão atualmente presos no Golfo. Clerc observou que apenas 2% a 3% do comércio global de contêineres flui de e para o Golfo, o que confere resiliência à indústria de transporte marítimo diante do fechamento do Estreito.
Riscos e navegação no Oriente Médio
O maior risco, segundo Clerc, seria a manutenção dos preços elevados da energia, que poderia desencadear uma inflação generalizada, levando a uma recessão e à queda na demanda. Ele descreveu um cenário de altos custos, demanda fraca e excesso de capacidade como “um coquetel perigoso”.
A situação no Oriente Médio também impacta a navegação no Mar Vermelho, forçando a Maersk a desviar as rotas de seus navios ao redor da África, evitando o Canal de Suez e o Estreito de Bab el-Mandeb. Isso interrompeu os esforços iniciais da empresa para retomar gradualmente alguns serviços na rota de Suez, essencial para mitigar anos de interrupções no comércio global.
A Maersk está avaliando se as condições no Mar Vermelho permitirão em breve a retomada de algumas viagens pela Península de Suez, o que reduziria significativamente os custos de combustível e os tempos de trânsito no importante corredor Ásia-Europa, conforme afirmou Clerc.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



