Maduro em Crise: Venezuela Busca Novas Resistências Após Ataque EUA

Venezuela enfrenta crise sem precedentes após ataque dos EUA!
Modelo de resistência socialista se esgota? China surge como referência.
Edmundo González eleito com 40% dos votos – crise exige autocrítica!

5 min de leitura

Supporters of ousted Venezuela's President Nicolas Maduro wave national flags as they take part in a demonstration in Caracas on January 4, 2026, a day after he was captured in a US strike. Nicolas Maduro's congressman son called on January 4, 2026, for Venezuelans to take to the streets following his father's ouster by US forces and transfer to a New York jail. (Photo by Juan BARRETO / AFP)

Desafios e Reflexões em Tempos de Crise na Venezuela

A urgência da situação na Venezuela emerge das nossas preocupações com o presente e o futuro do país, agravada pelo recente ataque dos Estados Unidos. Essa realidade particular, intrinsecamente ligada a um processo histórico próprio, reflete desafios que permeiam toda a América Latina, especialmente a questão de como construir alternativas pós-capitalistas em um contexto histórico tão complexo.

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Modelos de Resistência e a China como Referência

O analista Diego Ruzzarin levanta uma questão crucial: os modelos de resistência socialista do século XX esgotaram suas possibilidades? A busca por inspiração em outras realidades, como a experiência chinesa, se torna fundamental. O exemplo do “Rumo à Estação Finlândia”, o Tratado de Brest-Litovsk, a Nova Política Econômica (NEP) de Lenin e as negociações de Vietnã com os EUA, ilustram a necessidade de adaptação e pragmatismo na preservação do poder, permitindo atender às demandas populares quando as condições o permitam. Essa abordagem, embora controversa, demonstra a importância de flexibilidade e discernimento.

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A Urgência de uma Autocrítica Profunda

O brutal desequilíbrio tecnológico e militar da situação na Venezuela, apesar das comparações, exige uma reflexão profunda. É imperativo abandonar a ilusão de que podemos enfrentar este desafio com as práticas desgastadas. A eleição de Edmundo González em 2024, com cerca de 40% dos votos, demonstra a força da extrema direita e a necessidade de uma “autocorreção”, como propôs o General Padrino López. Essa introspecção deve levar a novas formas de resistência, buscando resultados concretos para o povo.

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Reinventando a Resistência Bolivariana

A trajetória do presidente Maduro, com suas declarações complexas e difíceis de compreender, exige cautela. A busca por preservar o poder bolivariano deve ser acompanhada de clareza e direção. A falta de instruções claras pode levar a uma dependência excessiva do presidente, transformando-o em um “timoneiro infalível”. É crucial evitar a passividade e confiar na capacidade do povo de construir um futuro melhor.

Novas Estratégias para Enfrentar a Guerra Cognitiva

O analista venezuelano Oscar Schemel adverte sobre o perigo de um Donald Trump convertido em líder protetor, salvador e portador de bem-estar com autoridade simbólica. Diante da dificuldade de enfrentar a “guerra cognitiva”, é necessário implementar novas maneiras de resistir, garantindo que as melhorias na vida do povo sejam vistas como conquistas da resistência bolivariana e não dos agressores. A disputa pela verdade, impulsionada pelo uso de ferramentas como celulares, deve ser acompanhada de uma revolução nas práticas.

Reconstruindo a Sociedade com Qualidade e Inclusão

Schemel enfatiza a necessidade de uma “renovada superestrutura cultural e emocional”. É preciso ações que emocionem o povo, deixando de lado discursos sem resultados. O setor da população chamado “nini” – aqueles que não se identificam totalmente com o chavismo nem com a oposição – representa um segmento pragmático que busca resultados concretos. Para conquistar esse grupo, é fundamental mostrar que as mudanças propostas melhoram sua vida.

Metas e Ações para o Futuro

Para enfrentar os desafios, propõe-se uma série de ações em diversas áreas: saúde, com intervenções e reestruturação total, buscando padrões de excelência como o Estádio Monumental Simón Bolívar; poder popular, através de consultas trimestrais e projetos locais; terceira idade, com aumento de pensões e aposentadorias; trabalho, com a implementação da lei de 40 horas semanais e a redução da jornada laboral; educação, com reengenharia pedagógica e investimento em escolas; universidades, com a dotação de recursos e a promoção de uma nova identidade real, inspirada na experiência da China.

Aprendendo com a Experiência Chinesa

A experiência da China, que prioriza a qualidade e a eficiência na produção, pode servir de inspiração. É necessário que a qualidade e a eficiência se espalhem por toda a sociedade, criando um novo senso comum civilizatório, com ênfase na ordem, limpeza, beleza e ecologia. A “Feita na Venezuela e no Brasil” deve alcançar a excelência, aprendendo com a humildade de culturas milenares, como a de Xi Jinping.

*Anisio Pires é sociólogo venezuelano (Ufrgs/Brasil), professor da Universidade Bolivariana da Venezuela (UBV). Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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