Em uma sessão que ocorreu nesta quinta-feira (26), em Nova York, o juiz Alvin Hellerstein negou o pedido da defesa do casal Nicolás Maduro e Cilia Flores, que buscava a exclusão das acusações por falta de provas. A audiência, a segunda relacionada ao caso, ocorreu em um contexto de crescente tensão e mobilização popular, tanto em Caracas quanto nos Estados Unidos.
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Nas ruas da capital venezuelana, a população se manifestou em protesto, liderada por militantes do movimento de mulheres caraquenhas, como Maria Linares, que expressou sua revolta com o que considera um “teatro” por parte do sistema de justiça estadunidense.
Linares e outros manifestantes exigiram a liberdade do presidente Maduro e de Cilia Flores, que, segundo eles, estão sendo “sequestrados” em vez de presos.
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“Recebemos isso com muito descontentamento. Estamos presentes aqui porque queremos a liberdade de nosso presidente Nicolás Maduro e de nossa primeira combatente Cilia Flores, que não estão presos, mas sequestrados, porque fizeram uma extração para levá-los sequestrados.
O julgamento que fizeram hoje foi praticamente um teatro”, declarou Linares, que participou de uma mobilização na praça Bolívar, em Caracas.
Outro representante da população, Anaí Arismendi, ressaltou que a perseguição contra as lideranças políticas venezuelanas tem fortalecido a união do país em defesa de sua soberania. “Eles estão muito enganados. Quem pensa que com isso vai quebrar nosso presidente, não deve confundir o conceito de paciência estratégica com fraqueza.
Nós estamos em um processo de organização, de mobilização permanente e de observação do desenvolvimento das coisas, apoiando nossa presidenta encarregada Delcy Rodríguez, mas também muito atentos para não retroceder em nossas conquistas. Nós não vamos retroceder na Revolução Bolivariana”, afirmou Arismendi.
Parlamento Protesta Contra a Situação
Durante a sessão ordinária da Assembleia Nacional da Venezuela, o deputado nacional José Vielma Mora lembrou que a audiência em Nova York coincide com a data em que se completam 32 anos da libertação do ex-presidente Hugo Chávez, em 1994. “Há aproximadamente 32 anos as portas do presídio de Yare se abriram e o povo a chamou de presídio da dignidade.
Nesse dia não saiu apenas um homem, saiu para sempre a esperança contida sob as grades da Quarta República para dar liberdade ao povo da Venezuela”, declarou o deputado.
Reações e Questionamentos no Tribunal
O juiz novaiorquino, de 92 anos, adiou a decisão sobre o pagamento de honorários advocatícios à defesa de Maduro e Flores. Os advogados argumentaram que o governo dos Estados Unidos impede o acesso a recursos da Venezuela para financiar o processo, o que viola o direito à legítima defesa dos acusados.
Promotores federais sugeriram que os acusados utilizem dinheiro próprio ou aceitem defensores públicos pagos pelos Estados Unidos.
A Determinação do Povo Venezuelano
Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente Nicolás Maduro, também protestou, afirmando que a Venezuela e o mundo se levantam para elevar a voz da verdade. “É para aproveitar o momento de hoje para elevar a voz da verdade, que nos deixem construir nosso próprio modelo em paz e nós não somos criminosos.
Somos gente decente, trabalhadora, não somos criminosos como querem fazer parecer. A Venezuela está firme”, disse.
A situação permanece complexa, com o casal Maduro e Flores detidos desde o dia 3 de janeiro, após uma operação militar ilegal dos Estados Unidos na Venezuela. Apesar das acusações de conspiração e posse de armas pesadas, o governo americano não apresentou provas concretas, e reconheceu a inexistência do chamado “Cartel de los Soles”.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.
