Comunidades Ribeirinhas Celebram 35 Anos de Luta pela Água e pelos Rios
Em Alecrim, no noroeste do Rio Grande do Sul, comunidades ribeirinhas se reuniram no sábado, 14, para a Nona Celebração Ecumênica Binacional pelos Rios Livres. O evento, que marca os 35 anos do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), reuniu líderes religiosos, movimentos populares e representantes de comunidades da Argentina, unidos em defesa dos rios e da vida.
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A celebração, realizada na comunidade Barra do Santo Cristo, Alecrim, é um momento de fortalecimento da resistência contra novos projetos de barragens, como os complexos hidrelétricos Garabi-Panambi, atualmente suspensos judicialmente devido aos riscos sociais e ambientais que representam.
O tema central da celebração foi “Goteje meu ensinamento como a chuva e o orvalho sobre os campos”, inspirado em um trecho bíblico que simboliza a importância da água como fonte de vida.
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Resistência e Legado do MAB
Tereza Pessoa, coordenadora do MAB na região, destacou a importância da luta do movimento contra a construção de barragens na fronteira entre Brasil e Argentina. “Estamos nos somando à celebração com muita fé, esperança, mas também com espírito de resistência contra a construção das barragens”, afirmou.
O MAB, fundado em 1991, surgiu da resistência de comunidades expulsas de suas terras para a construção de grandes obras, e ao longo de 35 anos, acumulou importantes conquistas, incluindo a aprovação de uma lei que garante direitos aos atingidos por barragens em 2023.
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Agenda de Mobilização e Defesa dos Direitos
A celebração ecumênica é organizada pelo MAB, pelo Movimento de Afectados por Represas (MAR) e por diversas organizações religiosas. A iniciativa reafirma a defesa da água como bem comum e o direito das populações de decidir sobre seus territórios.
As organizações participantes denunciam violações de direitos e defendem um modelo energético que coloque a vida acima do lucro.
Atividades do MAB no Rio Grande do Sul
Para celebrar o aniversário do MAB, o movimento planejou uma agenda de mobilização que se estenderá por março e os meses seguintes. As atividades incluem um encontro estadual de mulheres atingidas, uma vigília em frente à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para reivindicar a entrega de cestas básicas, uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e a inauguração de uma exposição de arpilleras no Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
