Luta por Justiça Racial: Movimento Negro Reivindica Novo Nome para Parque Histórico

Reivindicação Histórica: A Luta por um Nome que Represente a Resistência Negra
A disputa pela memória pública no Brasil é um tema central no movimento negro, focando na substituição de homenagens ligadas à escravidão e ao racismo por referências que celebrem a luta, a resistência e a contribuição da população negra.
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Essa luta se manifesta em diversas cidades, como em Recife, onde o Movimento Negro Unificado de Pernambuco (MNU/PE) já havia iniciado, na década de 1980, a reivindicação de trocar o nome do Parque 13 de Maio pelo Parque 20 de Novembro.
O Significado por Trás da Mudança de Nome
A Articulação Negra de Pernambuco (ANEPE) retomou essa demanda em 2026, questionando o significado do dia 13 de Maio, data em que foi assinada a Lei Áurea, que formalizou a abolição da escravidão. A organização argumenta que essa abolição não trouxe a libertação real para a população negra, devido à falta de políticas de reparação e à persistência de desigualdades sociais e raciais.
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Após a abolição, a população negra enfrentou a marginalização, a violência e a exclusão social, além da perseguição a manifestações culturais e religiosas de matriz africana. Essa realidade, ainda presente na sociedade brasileira, impulsiona a luta por reconhecimento e justiça racial.
Zumbi dos Palmares: Um Símbolo de Resistência
O 20 de Novembro, data do assassinato de Zumbi dos Palmares, representa um marco na história da resistência negra. Zumbi, junto com Dandara e outros líderes, personifica a luta pela liberdade, dignidade e justiça, e o Quilombo dos Palmares, símbolo dessa resistência, resistiu por quase um século às forças coloniais.
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Renomear o Parque 13 de Maio para Parque 20 de Novembro, portanto, é uma forma de disputar os símbolos da cidade e afirmar quais histórias devem ser lembradas e homenageadas nos espaços públicos, reconhecendo a importância da memória da luta negra.
O Compromisso da ANEPE e a Ocupação do Espaço Público
Para a ANEPE, essa mudança representa um gesto de reparação histórica, reconhecimento político e valorização da memória da luta do povo negro pernambucano e brasileiro. A organização convoca a militância negra e a sociedade pernambucana para participar de uma atividade em parceria com o Afoxé Oyá Alaxé, no dia 21 de maio, das 9h às 12h, numa ocupação do Pátio de São Pedro, um local histórico da luta negra em Pernambuco.
Mais informações serão divulgadas em breve.
“13 de Maio, não! 20 de Novembro, sim!”. A iniciativa busca fortalecer a formação política, a cultura negra e a ocupação do espaço público em defesa da memória, da justiça racial e da luta do povo negro.
Ademir Damião e Ingrid Farias são ativistas da Articulação Negra de Pernambuco (Anepe).
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



