Lulinha é investigado em três inquéritos da Polícia Federal por tráfico de influência e corrupção
As investigações da PF podem impactar a imagem do governo Lula e levantam questões sobre a influência de familiares em decisões administrativas.
A Polícia Federal (PF) investiga Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em três inquéritos que apuram suposto tráfico de influência e corrupção em favor de empresas no âmbito do governo federal.
As investigações foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no final de julho, com o ministro André Mendonça sendo relator de duas delas e o ministro Flávio Dino responsável pela terceira. Lulinha nega qualquer irregularidade.
A investigação ganhou destaque após a revelação de sua ligação com uma lobista do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A empresária teve seu celular apreendido pela PF, onde foram encontradas mensagens que indicam negociações entre ela e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, um dos principais envolvidos em um esquema de descontos ilegais nos benefícios de aposentados.
Detalhes dos inquéritos
O primeiro inquérito investiga se Lulinha favoreceu a empresa do “Careca do INSS”, que atua com produtos medicinais à base de cannabis, junto ao Ministério da Saúde. O ministro André Mendonça acatou o pedido para investigar essa relação, embora Lulinha não seja formalmente investigado nesse caso.
A defesa do filho do presidente afirmou que ele conheceu Antunes por meio da amiga Roberta Luchsinger em 2024.
No segundo inquérito, aberto no dia seguinte ao primeiro, a PF busca saber se Lulinha atuou para beneficiar uma empresa de tecnologia da informação junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência). Essa empresa estaria envolvida em contratos que totalizam R 55.721.051,62 com o governo federal.
A Dataprev negou ter acordos com a companhia citada e a 3Structure It LTDA, que venceu licitações públicas, garantiu ter respeitado todas as normas legais.
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O terceiro inquérito está sob sigilo e investiga um grupo suspeito de favorecer empresas junto ao governo federal. O foco recai sobre Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex – chefe de gabinete de Lula. Mensagens trocadas entre Lulinha e Roberta sugerem reuniões de negócios envolvendo Marcola e outros membros do governo.
Próximos passos nas investigações
A PF ainda avalia se será necessário convocar depoimentos adicionais para esclarecer os fatos. Enquanto isso, uma manifestação do procurador – geral Paulo Gonet permanece em sigilo e foi enviada logo após o início das investigações.
Apesar das tensões entre a PF e o STF — especialmente após Mendonça autorizar a quebra de sigilo de Lulinha — a corporação segue seu curso processual. Recentemente, Andrei Rodrigues, diretor – geral da PF, se reuniu com Edson Fachin, presidente do STF, buscando apaziguar as relações entre as instituições.
Repercussão política
Lulinha também se tornou alvo da oposição no Congresso Nacional durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre fraudes no INSS. O relator Alfredo Gaspar (PL – AL) pediu seu indiciamento em seu relatório final; no entanto, a comissão encerrou suas atividades sem aprovar um parecer definitivo.
Embora tenha havido uma solicitação para quebrar o sigilo de Lulinha na CPMI, essa medida foi barrada por decisão do ministro Flávio Dino.
Na quarta – feira (19), Lula se reuniu com o advogado de seu filho para discutir as críticas recebidas durante a campanha à reeleição. O presidente tem reforçado publicamente que seu filho não cometeu irregularidades nas atividades profissionais.