O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, intensificou os esforços diplomáticos nesta terça-feira, 3 de março de 2026, com telefonemas ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e a outros chanceleres. A iniciativa visa analisar os desdobramentos da grave crise no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei.
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Reuniões e Avaliação da Situação Internacional
As conversas telefônicas foram parte de uma movimentação coordenada pelo Itamaraty. Vieira dialogou com o chanceler da Jordânia, Ayman Safadi, discutindo os ataques iranianos ao território jordaniano e os possíveis cenários do conflito. Além disso, estabeleceu contato com o novo ministro das Relações Exteriores do Kuwait, Jarrah Jaber Al-Ahmad Al-Sabah.
O governo brasileiro, por meio de notas oficiais, condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel, e pediu uma desescalada do conflito, demonstrando solidariedade aos países afetados, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, e reafirmando o respeito ao Direito Internacional.
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Reação do Embaixador Iraniano
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, expressou sua gratidão ao governo Lula pelo posicionamento em relação à crise. Ele classificou a postura brasileira como “valorosa”, embora tenha defendido o direito do Irã de responder “na mesma altura” à retaliação contra países vizinhos.
Nekounam evitou comentar a segunda nota do Itamaraty, que condenava a retaliação iraniana.
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Retrospectiva da Declaração de Teerã
Na segunda-feira, 2 de março, Lula também conversou com o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, revisando a situação e considerando a Declaração de Teerã, um acordo firmado em maio de 2010 entre Brasil, Irã e Turquia para tentar resolver o impasse em torno do programa nuclear iraniano.
O governo avalia se há espaço para retomar uma interlocução ativa na região, diante da escalada militar e da morte de Khamenei.
Próximos Passos e a Visita aos EUA
O presidente Lula planeja viajar aos Estados Unidos na segunda quinzena de março, a convite de Donald Trump. A crise no Oriente Médio adiciona um novo ponto à agenda da viagem, com o governo brasileiro expressando reservas ao Conselho da Paz proposto por Trump, que deve ser discutido.
A avaliação no Itamaraty é de que qualquer mecanismo de pacificação deve ter um caráter multilateral.
