Lula e Trump se encontram na Casa Branca: Pix e crime organizado sob o radar?

Encontro na Casa Branca não resolve tensões entre Brasil e EUA sobre Pix e crime. Lula e Trump discutem Pix e facções criminosas sem avanços.

Encontro na Casa Branca Evita Discussão sobre Pix e Facções Criminosas

O encontro de três horas entre o presidente brasileiro e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca na quinta-feira, 7 de maio de 2026, não resultou em avanços significativos sobre dois temas considerados sensíveis na relação bilateral: o sistema de pagamentos Pix e a atuação das facções criminosas brasileiras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A avaliação do governo Lula, no Planalto, é que o silêncio demonstra que Washington não prioriza esses assuntos neste momento.

Pix e a Preocupação Americana

O sistema Pix, desenvolvido pelo Banco Central, havia se tornado alvo de investigação desde julho de 2025, sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O governo americano argumentava que o Pix criaria um ambiente desfavorável para empresas como Visa e Mastercard, devido ao controle do Banco Central sobre o sistema de pagamentos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Pix, que já representa mais da metade das transações financeiras no Brasil, é defendido pelo governo Lula como um elemento inegociável, com a intenção de retomar as tratativas na semana seguinte.

Facções Criminosas: Evitando a Reclassificação

O governo brasileiro também evitou discutir abertamente a questão das facções criminosas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital. Setores do governo americano defendem a reclassificação dessas organizações como terroristas, o que teria implicações diplomáticas e de segurança para a região.

Leia também

O Planalto busca evitar essa medida, considerando-a uma interferência na soberania brasileira.

Proposta de Grupo de Trabalho Bilateral

Para evitar o impasse, o presidente Lula propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para tratar do combate ao crime organizado. Essa proposta foi aceita por Trump. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que a cooperação aduaneira já gerou resultados positivos, com a apreensão de mais de meia tonelada de armas irregulares dos EUA e a identificação de mais de uma tonelada de droga sintética de origem norte-americana no Brasil, entre maio de 2025 e abril de 2026.

Conclusão

Apesar da reunião, a investigação da Seção 301 deve concluir em julho de 2026, podendo resultar em novas sanções comerciais ao Brasil. No entanto, o diálogo estabelecido com Trump parece ter reduzido os riscos de novas medidas unilaterais americanas.

O governo brasileiro busca, através do grupo de trabalho, garantir a autonomia do Pix e evitar interferências em questões internas, como a atuação das facções criminosas.