Lula é orientado a convocar Conselho da República e defender mandato no STF

A reação é discutida em meio à pressão eleitoral, à crise institucional e à avaliação de um novo encontro com Edson Fachin.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem uma reação mais incisiva do governo diante da escalada da crise institucional e dos resultados recentes das pesquisas de opinião. Entre as alternativas discutidas estão a convocação do Conselho da República e uma proposta de mandato para futuros ministros do STF (Supremo Tribunal Federal.

Interlocutores diretos do petista na Esplanada dos Ministérios consideram urgente uma nova conversa com o presidente da Corte, Edson Fachin. A avaliação é que o encontro deve servir para discutir os próximos passos e buscar uma saída para a crise.

Governo discute resposta à crise institucional

O clima no Palácio do Planalto é de extrema preocupação com a disputa eleitoral contra o candidato do PL à Presidência da República. Em uma simulação para o segundo turno da Nexus, divulgada nesta terça – feira (8), ele apareceu numericamente à frente de Lula.

Na avaliação de assessores diretos do presidente, a disputa eleitoral deve concentrar as atenções na reta final da campanha. Para esse grupo, nenhum outro tema — economia, segurança pública ou soberania nacional — terá o mesmo peso.

Por isso, pessoas com acesso ao gabinete presidencial defendem uma resposta mais firme. A avaliação é que o governo não pode mais contemporizar sobre a abertura de investigações contra Moraes, ainda que essa posição não seja apresentada publicamente.

A mensagem, segundo esses interlocutores, poderia ser transmitida a Fachin, apontado como condutor de uma solução para a crise.

O Planalto também considera inaceitável a continuidade de Mendonça como relator dos casos Master e INSS. O argumento adotado por integrantes do governo é que ele teria perdido a imparcialidade necessária para conduzir os processos.

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Mandato no STF e Conselho da República

A campanha de Flávio tem explorado a possibilidade de Lula indicar mais quatro ministros do STF até 2030, caso seja reeleito em outubro. Como resposta, interlocutores do petista avaliam que o presidente deveria defender imediatamente uma mudança constitucional.

A proposta seria estabelecer mandato de dez ou 15 anos para futuros integrantes da Corte. A medida aparece entre as alternativas consideradas pelo grupo próximo ao presidente para responder às críticas e reduzir o peso político das futuras indicações ao STF.

Outra sugestão apresentada a Lula é a convocação do Conselho da República. O órgão assessora a Presidência em momentos de crise e reúne representantes do Poder Executivo, os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, líderes da maioria e da minoria nas duas Casas e representantes da sociedade civil.

A ideia, porém, divide opiniões dentro do governo. Há integrantes do entorno do petista que avaliam que uma convocação extraordinária poderia colocar ainda mais holofotes sobre a crise e prejudicar a campanha de reeleição.

Planalto prepara reação sobre Andrei

O comitê petista defende que Lula reaja “como presidente” à decisão de afastamento de Andrei do cargo de diretor – geral da Polícia Federal. A gestão federal vai arguir a violação de competência privativa do presidente da República ainda nesta terça – feira (8.

O argumento do governo é que cabe somente a Lula indicar o chefe da PF. O presidente também considera o afastamento de Andrei indevido, mas integrantes do governo pedem cautela na reação.

Lula deve solicitar, com urgência, um novo encontro com Edson Fachin, presidente do STF, para tratar do tema. A reunião é vista por interlocutores do petista como uma etapa central na tentativa de encaminhar a crise institucional.