Foco na Segurança Alimentar e Críticas à Corrida Armamentista
Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na abertura do principal fórum regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), dedicado à América Latina e Caribe. O evento, realizado no Palácio do Itamaraty, visa definir prioridades para 2026 e 2027, com ênfase no combate à fome e à má nutrição.
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A presença do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, e de ministros do governo brasileiro, incluindo Mauro Vieira, Carlos Fávaro e Paulo Teixeira, evidenciou a importância estratégica da iniciativa.
Prioridades Regionais e Saída do Brasil da Organização Mundial do Petróleo
O encontro centraliza esforços para estabelecer prioridades regionais, marcando a saída do Brasil da Organização Mundial do Petróleo (OMP), um movimento que o governo atribui a um conjunto de ações retomadas no terceiro mandato de Lula. A FAO reconheceu essa iniciativa, consolidando o papel do Brasil como protagonista na agenda de segurança alimentar da região.
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A discussão se concentra na necessidade de políticas brasileiras que abordem a insegurança alimentar, reconhecendo a importância da agricultura familiar e do acesso à terra.
Participantes e Discursos
Além do presidente Lula e do chanceler Vieira, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Carlos Fávaro, e o ministro da Agricultura e Pecuária, também estiveram presentes. Seus discursos ressaltaram o papel da ciência, da Embrapa e da agenda de bioinsumos no combate à fome, além de programas e crédito rural como ferramentas para ampliar a produção e recuperar áreas degradadas.
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A Crítica à Corrida Armamentista e a Desigualdade Global
A fala do presidente Lula concentrou-se em críticas à corrida armamentista e à falta de prioridade política para enfrentar a fome. Ele apresentou dados comparando o gasto global com guerras e a população em situação de fome, argumentando que o equivalente a 2 trilhões e 700 bilhões de dólares gastos em armamentos poderia ser utilizado para aliviar o sofrimento de 630 milhões de pessoas famintas no mundo.
Essa quantia, se distribuída, garantiria 4.285 dólares para cada indivíduo.
A Perspectiva da ONU e a Necessidade de Paz
Lula defendeu que o Conselho de Segurança da ONU deveria se mobilizar para um esforço de paz, sugerindo uma reunião remota dos cinco membros permanentes para discutir o rumo das decisões globais. Ele criticou a tendência de priorizar conflitos em detrimento da segurança alimentar, enfatizando que a escalada militar agrava o problema alimentar, destruindo a produção de alimentos.
A ONU, segundo Lula, estaria cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras, sem espaço para os senhores da paz.
Desigualdade, Concentração de Renda e a Visibilidade da Fome
O presidente atribuiu a persistência da fome à desigualdade e à falta de pressão política. Ele observou que os famintos muitas vezes são invisíveis aos governantes do mundo, pois não protestam, não estão organizados em sindicatos e estão longe do centro de poder.
Essa invisibilidade, segundo ele, explica por que “para isso nunca tem dinheiro”. Lula associou a fome à concentração de riqueza, afirmando que o problema não pode ser empurrado para depois. Ele enfatizou que o alimento não chega às casas das pessoas porque elas não têm dinheiro, devido à concentração de renda.
Compromisso Moral e a Luta Contra a Fome
Janja Lula da Silva, primeira-dama, recebeu o título de embaixadora da boa-vontade contra a fome da FAO, reforçando o compromisso moral com a erradicação da fome no Brasil e no mundo. Ela destacou que o combate à fome não é apenas uma opção política, mas um dever moral, e que a fome não deve ser usada como arma de guerra.
Janja também expressou um olhar atento para mulheres e meninas, que são as mais afetadas pela fome e pela insegurança alimentar.
