Lula: Déficit Primário Não é “Colapso Global”

Lula minimiza riscos de déficit primário, comparando dívidas dos EUA, Itália e Japão e destacando a renda per capita do Brasil

15/06/2026 17:10

5 min

Lula: Déficit Primário Não é “Colapso Global”
(Imagem de reprodução da internet).

Declaração do Presidente Lula Sobre Riscos ao Déficit Primário

Em 10 de junho de 2026, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os riscos de um déficit primário na faixa de 0,20% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil não representam um “colapso global”. Durante a 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão), realizado em Brasília (DF), o presidente comparou a situação brasileira com a de economias avançadas.

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Comparação com Países Ricos

Lula criticou a percepção de que um déficit de 0,20% ou 0,15% causaria problemas globais, citando a dívida pública externa dos Estados Unidos (120% do PIB), a da Itália (quase 200%) e do Japão (quase 300%). “Isso não abala o país. Aqui nós vivemos por conta disso e muitas vezes não se preocupam com o avanço que a sociedade brasileira está tendo”, declarou.

Dados de PIB Per Capita

O presidente apresentou dados de renda per capita dos Estados Unidos (aproximadamente US$ 90.000), Itália (US$ 43.000) e Japão (US$ 35.000), em comparação com o Brasil (aproximadamente US$ 12.000). “Deficit de 0,20%, deficit de 0,15%, enquanto nos Estados Unidos a dívida pública externa deles é de 120% do PIB, na Itália é quase 200%, no Japão é quase 300%.

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Ou seja, isso não abala o país. Aqui nós vivemos por conta disso e muitas vezes não se preocupam com o avanço que a sociedade brasileira está tendo”, afirmou.

Discurso Detalhado no Conselhão

O presidente Lula expandiu seu discurso, agradecendo aos membros do Conselhão pela dedicação e destacando a importância de atender às necessidades da população brasileira, especialmente aqueles que historicamente foram marginalizados. “Eu queria fazer da fala de todo mundo aqui a minha fala e dizer para vocês que eu tô muito, mas muito agradecido com as coisas que estão acontecendo no Brasil.

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Eu só quero que um dia a gente esteja com esse país tão preparado que as pessoas não precisam votar numa pessoa pela pessoa, que as pessoas votem num projeto político, um projeto que seja construído a muitas mãos, um projeto que possa ser fiscalizado por muitas mãos, porque nós estamos vivendo um momento, querida Laura, muito delicado na política e na humanidade.

A narrativa e o argumento não valem mais nada. Não valem mais nada. O que vale é a rapidez da mentira nas redes digitais. Tanto para direita quanto para esquerda é uma disputa simplesmente do quanto mais curto, melhor e do quanto menos explicar, melhor.

E eu acho que o mundo só vai ser civilizado quando a gente voltar a ter por conta de que é o argumento, é a narrativa das coisas que pode convencer a seriedade de alguém que disputa um cargo, seja em qualquer lugar. E nós não estamos vivendo esse momento.”, disse.

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Desafios Econômicos e Distribuição de Renda

Lula enfatizou a importância de garantir que o crescimento econômico seja distribuído de forma equitativa, criticando o crescimento de 14% nos últimos anos que não beneficiou a população mais pobre. “O importante não é o quanto você vai crescer.

O importante é se o que você crescer é distribuído, porque esse país já cresceu 14% ao ano e não distribuiu. Então, o que é importante é que aos poucos a gente vai colocando a parte mais sensível e mais pobre da população dentro do orçamento do país, levando a sério a educação, a saúde, a legalização de terras indígenas, a questão de demarcar as zonas que nós precisamos demarcar, tanto no oceano quanto nas florestas, a questão dos quilombolas.

Só para vocês tenham ideia, com a entrega que nós vamos fazer para as mulheres quilombolas, acho que amanhã, nós estaremos entregando em 3 anos e 4 meses 48% de tudo que é terra quilombola registrada nesse país, em apenas 3 anos e meio. E obviamente que cada reserva florestal que a gente faz, cada terra indígena que a gente legaliza, cada benefício que você dá para um pobre, aqueles que estavam acostumados que o país fosse só deles, ficam irritados.”, afirmou.

Iniciativa de Telefone Seguro

O presidente anunciou uma iniciativa para combater o uso de celulares roubados, propondo uma votação sobre a necessidade de um pedido de devolução dos aparelhos, com o objetivo de reduzir a criminalidade. “Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor financeiro não sei das contas impor multa, gente, impor multa por conta do desmatamento.

Será que eles não percebem que eles já tão careca e que nós ainda estamos como um jogador cortando só um pedacinho aqui do lado? Será que não se dão conta de que nós nesses 3 anos e meio diminuímos o desmatamento em todos os biomas brasileiros?”, questionou.

Conclusão

O presidente concluiu, enfatizando a importância de avaliar os custos não realizados e a necessidade de um debate sobre o que o Brasil perdeu por não investir em áreas como educação e saúde. “Eu digo para meus ministros uma frase que é o seguinte: nesse país a gente nunca conseguiu avançar.

O que precisava avançar porque existe uma palavra, uma desgraça de uma palavra chamada gasto. Tudo que a gente quer fazer para o pobre aparece alguém ‘não, isso gasta muito’, ‘investir na alfabetização, investir na universidade, em instituto federal gasta muito’.

As pessoas nunca pararam para escutar e fazer a grande pergunta. Quanto custou não fazer a porra das coisas sérias no tempo que você deveria fazer? Quanto custou?”, concluiu.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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