Lula defende o comércio multilateral como alternativa ao protecionismo no âmbito do Brics
O Brasil abriga a cúpula anual que reúne líderes globais, nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.

Durante o Fórum Empresarial do BRICS, ocorrido neste sábado (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o reforço do comércio multilateral e advertiu sobre os perigos do retorno do protecionismo internacional. O líder do executivo brasileiro também ressaltou a relevância dos países trabalharem em conjunto para o combate aos desafios e crises globais.
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Em meio às novas medidas adotadas pelo presidente americano Donald Trump, que impactam a geopolítica e as interações econômicas entre o mundo, Lula defendeu a união estratégica dos países emergentes do grupo como “fiador de um futuro promissor”.
Podemos adquirir muito conhecimento através da constante colaboração entre países em desenvolvimento. Isso possibilitou que enfrentássemos, em conjunto, os impactos da crise financeira de 2008 e da pandemia de Covid-19. Diante do aumento do protecionismo, os países emergentes devem defender o sistema multilateral de comércio e reformar a estrutura financeira internacional. O BRICS permanece como um pilar de um futuro promissor, declarou o presidente.
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Possuímos inúmeras complementaridades econômicas. O intercâmbio comercial do Brasil com o BRICS foi de 210 bilhões de dólares no ano passado, mais que o dobro do fluxo com a União Europeia. Só em produtos do agronegócio brasileiro, exportamos 71 bilhões de dólares. Nossos países podem liderar um novo modelo de desenvolvimento pautado em agricultura sustentável, indústria verde, infraestrutura resiliente e bioeconomia.
Lula enfatizou na sua fala a transição energética, as parcerias com o setor privado e o estímulo às moedas locais.
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Dispomos de minerais estratégicos fundamentais para a transição energética. O BRICS detém 84% das reservas de terras raras, 66% do manganês e 63% do grafite globalmente. A Agência Internacional de Energia aponta que a demanda por minerais críticos deverá triplicar até 2040. Buscamos ir além da extração dessas riquezas. Em colaboração com o setor privado, otimizaremos nossa participação em todas as fases das cadeias de suprimento. O Brasil está bem situado para essa mudança. Contamos com marcos regulatórios estáveis, mão de obra qualificada e energia limpa para o processamento mineral eficiente e sustentável. Fortalecer tantas áreas exige a mobilização de recursos.
O presidente também destacou o papel do BRICS na criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e defendeu o reforço da tecnologia para superar obstáculos no setor da saúde.
Por último, ratificou a promoção da paz mundial e defendeu o diálogo como forma de solucionar os conflitos em curso.
Acredito que é responsabilidade dos governos abrir oportunidades e dos empresários realizar negócios. A relação entre paz e desenvolvimento é clara. Não haverá prosperidade em um mundo em guerra. O encerramento das guerras e dos conflitos acumulados é uma das responsabilidades dos chefes de Estado e de governo. É evidente que a falta de liderança agrava as múltiplas crises enfrentadas por nossas sociedades. Estou certo de que este Fórum e a Cúpula do BRICS que se inicia amanhã aportarão soluções.
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BRICS
Os BRICS atuam como um importante mecanismo de articulação internacional. Desde o início das reuniões formais, o bloco tem promovido acordos de comércio e cooperação entre os países membros, com o objetivo de impulsionar o crescimento econômico e ampliar o protagonismo das nações emergentes no cenário global.
O Brasil é anfitrião da cúpula anual, que ocorrerá entre os dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro. O evento reúne lideranças do Brasil, China, Rússia, Índia e outros países que compõem oficialmente o grupo, atualmente com onze membros.
Fonte por: CNN Brasil
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.