Brasil Defende Diálogo em Meio à Escalada no Oriente Médio
Em um cenário marcado pela intensificação do conflito no Oriente Médio, com ações de forças dos Estados Unidos e Israel, o Brasil tem adotado uma postura de cautela e defesa do diálogo. Essa estratégia, historicamente alinhada com a diplomacia brasileira, enfrenta desafios crescentes em um contexto de enfraquecimento das instituições multilaterais e de uma guerra declarada.
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Análise da Cientista Política Mayra Goulart
A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que o presidente Lula tem enfatizado a necessidade de um equilíbrio global e criticado o controle das infraestruturas militares por potências. Segundo ela, essa abordagem se alinha com uma posição neutra no debate, refletindo a história da diplomacia brasileira.
Goulart ressalta que o Brasil, ao lado do governo Lula, representa o Sul Global e os povos periféricos, lutando contra uma relação de hegemonia prejudicial a esses grupos. “Observamos um fortalecimento do sistema multilateral, com o Brasil sendo pioneiro no movimento dos países não alinhados, iniciado na década de 1950, sinalizando uma relação de não alinhamento com as potências vigentes.”
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Pressões sobre o Brasil e os Brics
Ao discutir a inclusão recente do Irã no grupo BRICS, Goulart analisa as possíveis pressões sobre o Brasil. Ela aponta que os países do BRICS, com uma postura autocentrada nas relações internacionais, podem não se mobilizar por dinâmicas humanitárias ou civilizatórias. “Acreditar que eles se manifestarão em defesa dos direitos humanos dos iranianos é uma aposta incerta.”
A professora enfatiza a importância dos países que denunciam as violações, que “cumprem um papel muito importante: chamar a atenção de que, na relação internacional, não pode ser só o interesse financeiro e econômico mais imediato que impera.”
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Extrema Direita e Narrativas de Guerra
Goulart analisa a movimentação da extrema direita brasileira diante do conflito, observando que ela se apropriou de uma retórica atribuída a Israel: a de que existe uma ameaça iminente e que, portanto, todas as ações são justificadas. “Essa narrativa interessa à extrema direita global, pois será usada para legitimar vulnerabilizações em seus respectivos territórios.”
Ela não se surpreende com manifestações de apoio a figuras que adotam essa retórica, que se baseia na ideia de que “Estamos em guerra, existe uma ameaça, e essa ameaça justifica tudo, justifica o uso da força.”
Impacto Econômico e Horizonte Analítico
Goulart aponta que a duração do conflito será determinante para o impacto econômico, com oscilações nos preços das commodities. Ela utiliza o exemplo da crise financeira de 2025 como ilustração, onde interesses comerciais reduziram o tempo do conflito.
“Esse é um horizonte para analisar o que está acontecendo no Irã”, conclui. “Essas instituições [multilaterais] são cada vez mais frágeis, uma vez que a grande potência global tem agido no sentido de enfraquecê-las. O desafio do Brasil e do Sul Global é imenso.”
Contexto do Conflito no Oriente Médio
Os ataques coordenados, não provocados e considerados ilegais pelas leis internacionais, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados em 27 de junho de 2026, ocorrem em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano. Apesar do país persa em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e se comprometer a usar seu programa nuclear exclusivamente para fins pacíficos, Israel e EUA – ambas potências nucleares – acusam Teerã de secretamente buscar a construção de armas atômicas.
Tel Aviv também acusa o Irã de ser “ameaça existencial” ao país, mas a acusação é rebatida por analistas que argumentam que o governo iraniano se encontra hoje muito enfraquecido pelos ataques de junho de 2025, pelas sanções impostas pelos EUA, protestos internos e o fim do corredor até o Líbano, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.
A derrubada do governo em Teerã é objetivo cultivado por Washington e Tel Aviv desde a instalação da República Islâmica, em 1979, que substituiu o regime vassalo do Ocidente e instituiu o governo teocrático nacionalista.
Nos primeiros dias de ataques, bombardeios mataram lideranças iranianas, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989. Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o Irã fechou, após o início das agressões, o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a produção de vários países do Golfo.
Por lá passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, o que gera temores de uma crise inflacionária internacional.
Outro temor, apontado por analistas, é que o conflito se expanda para outros países da região, com consequências imprevisíveis. Para ouvir e assistir, o jornal vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo .
