Lula ataca juros abusivos do crédito rotativo! Governo analisa mudanças drásticas para proteger o consumidor brasileiro. Crise no endividamento?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que a equipe econômica do governo avalie alterações significativas no crédito rotativo dos cartões de débito, uma modalidade conhecida por seus juros excessivamente altos. A iniciativa surge em resposta à preocupação com o alto custo do crédito para o consumidor brasileiro.
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A ministra também defendeu a criação de um referencial para os juros praticados nesse tipo de operação.
A ministra da economia, Gleisi, afirmou nesta segunda-feira (30 de março de 2026) que o presidente comparou o crédito rotativo ao cheque especial, que possui limites estabelecidos. Ela ressaltou que Lula questionou o nível de juros cobrados, argumentando que a prática não possui justificativa, especialmente em comparação com as taxas do cheque especial, que já são tabeladas em 8%.
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A ministra defendeu a criação de um referencial para os juros do cartão, buscando maior transparência e controle.
A legislação atual estabelece um limite de 100% da dívida para os juros e encargos do rotativo, mas essa regra ainda não foi totalmente implementada. Apesar disso, o governo já está buscando novas formas de regular a modalidade, que historicamente tem sido a mais cara do sistema financeiro nacional.
O limite de 100% da dívida significa que, em uma fatura de R$ 1.000, os juros e encargos não podem ultrapassar R$ 1.000, limitando o custo total a R$ 2.000. Essa orientação foi direcionada ao secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, como parte de uma estratégia para reduzir o endividamento das famílias e atacar o custo do crédito no país.
Dados recentes do Banco Central (BC) confirmam que o rotativo continua sendo a linha de crédito mais cara do sistema financeiro. A taxa média de juros atingiu 435,9% ao ano em fevereiro, superando a taxa média da economia, que subiu para 33,0% ao ano.
As operações com recursos livres, como as do cartão de crédito, apresentaram uma taxa de 48,6% ao ano.
O estoque total de crédito no país alcançou R$ 7,15 trilhões em fevereiro, com um aumento de 0,4% no mês, impulsionado principalmente pelas operações com pessoas físicas. Apesar dessa melhora recente, o endividamento das famílias permanece elevado.
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam que 78,9% das famílias tinham dívidas no final de 2025.
Um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) revelou que 73,3 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em janeiro de 2026. O governo tem buscado medidas para facilitar o pagamento das dívidas e aliviar a pressão sobre as famílias.
O debate sobre o crédito rotativo ocorre em um contexto de estratégia mais ampla do governo para melhorar o cenário econômico e reduzir a pressão sobre as famílias, especialmente em ano eleitoral. Levantamentos do Poder360 mostram que o conjunto de medidas já adotadas ou anunciadas pelo presidente Lula soma ao menos R$ 403,2 bilhões em 2026, com foco em programas sociais, estímulo ao crédito e alívio financeiro para diferentes faixas da população.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.