O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, que a situação de escassez de alimentos em Cuba não se deve à falta de capacidade produtiva do país, mas sim a uma decisão política deliberada de outros governos de impedir o acesso à ilha a recursos que, segundo ele, seriam de seu direito.
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A declaração foi proferida durante a cerimônia de abertura da 39ª Conferência Regional da FAO, que ocorreu no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
Questionamento à Lógica Ideológica
Lula questionou a lógica de negar ajuda a Cuba por motivos ideológicos, argumentando que a situação do Haiti, que também enfrenta graves problemas de fome e é dominado por gangues, deveria receber a mesma atenção. “Vamos supor que não se cuida de Cuba por perseguição ideológica – não vamos ajudar Cuba porque é um país comunista.
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Então ajuda o Haiti, que passa tanta ou mais fome do que Cuba e que está dominado por gangues”, afirmou o presidente.
Solidariedade Brasileira e a Busca por Soluções
Em um discurso que também marcou a celebração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, Lula declarou que o Brasil é “solidário ao povo cubano” e que o partido buscaria “um jeito de ajudar” o país. O presidente ressaltou que a fome é uma escolha política, utilizando o exemplo de Cuba e do Haiti para reforçar a tese de que a crise alimentar não resulta de intempéries ou falta de capacidade produtiva, mas sim de decisões políticas e da invisibilidade dos pobres perante os governantes.
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Um Custo Elevado em Conflitos Armados
Lula calculou que os US$ 2,7 trilhões gastos em conflitos armados no ano anterior, divididos entre os 630 milhões de pessoas que sofrem com a fome no mundo, poderiam ser utilizados para fornecer US$ 4.285 por pessoa. “Não precisaria ter fome no mundo se houvesse o bom senso dos governantes do mundo”, declarou.
O presidente também expressou sua preocupação com a falta de sensibilização dos líderes mundiais em relação à fome, afirmando que “nunca tem dinheiro, porque os famintos não protestam”.
Assistência a Cuba e o Haiti em Desenvolvimento
O discurso de Lula ocorreu em um momento crucial, com o governo brasileiro preparando o envio de assistência à ilha. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, confirmou ao Poder360 que os acordos para o envio de alimentos e insumos agrícolas a Cuba devem ser assinados nesta semana, através da ABC e da Conab, no âmbito da Aliança Global de Combate à Fome e à Pobreza.
O Haiti também será beneficiado, e medicamentos devem fazer parte do pacote.
O governo avalia a possibilidade de canalizar parte da ajuda por meio de organismos da ONU, como a FAO e a Opas, que já operam em Cuba, buscando alternativas para contornar sanções americanas. Cuba enfrenta desafios significativos devido ao bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos, que interrompeu o fornecimento de petróleo da Venezuela e do México, resultando em apagões, colapso do sistema de saúde e falta de combustível.
A crise se agravou após a queda de Nicolás Maduro e a posse de um governo alinhado aos EUA.
