Luis Burciaga apresenta mudanças no mercado de carne bovina dos EUA durante a Feicorte 2026 em SP
Mudanças no mercado de carne bovina dos EUA afetam estratégias globais, com destaque para a escassez de gado comum e a expansão do segmento Prime.
O mercado de carne bovina nos Estados Unidos passa por mudanças significativas, impactando as estratégias de produtores em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. Os dados foram apresentados por Luis Burciaga, consultor da Telus Agricultura, durante a Feicorte 2026, realizada em Presidente Prudente (SP.
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A Telus Agricultura é uma empresa canadense que atua em diversos setores e investe na produção pecuária na América do Norte desde a década de 1980, com fazendas e confinamentos no México, EUA e Canadá. Historicamente, na década de 1970, o rebanho bovino americano atingiu seu pico com cerca de 45 milhões de fêmeas para reprodução.
No entanto, em janeiro de 2026, esse número caiu para 27,6 milhões, o menor patamar em décadas, conforme dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA.
Produção e qualidade da carne
Apesar da redução no número de fêmeas reprodutoras, a produção total de carne bovina não caiu proporcionalmente. Isso se deve aos avanços no melhoramento genético dos animais. Hoje, um bovino é capaz de produzir muito mais carne do que há 50 anos.
O segmento da carne classificada como Prime — a mais alta na escala de marmoreio do USDA e voltada para o mercado gourmet — continua em expansão nos Estados Unidos.
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Mesmo com a diminuição dos abates totais, a quantidade de animais destinados ao mercado prime representa mais de 14% do total. Em janeiro de 2026, foram abatidas 6.500 cabeças a mais para esse segmento em relação ao ano anterior, resultando em um aumento de 3%.
Contudo, há uma falta crescente de “gado comum”, que fornece carne magra.
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Uma mudança notável ocorreu no diferencial de preços entre a carne Choice — considerada qualidade intermediária — e a carne Select — que possui menos marmoreio e é mais econômica. Pela primeira vez na história, esse diferencial se inverteu devido à escassez da oferta desses produtos mais baratos.
Consumo e exportação
A carne moída ocupa uma posição importante no consumo americano, representando quase 48% do total consumido pelos norte – americanos. Embora o consumo per capita tenha caído ligeiramente, a demanda por carne moída se manteve estável e até cresceu.
Essa situação pode influenciar o Brasil, que exporta principalmente carne magra para os EUA.
Burciaga explicou que os americanos costumam misturar a carne magra brasileira com a carne gorda local para fazer hambúrgueres. A busca por cortes bovinos mais magros também tem aumentado devido às novas tendências alimentares.
O Brasil se destaca como fornecedor relevante desse tipo de carne para o mercado norte – americano. Luis Burciaga comparou essa relação comercial com os exemplos do México e da Mongólia. O México tem investido em sistemas produtivos mais eficientes ao invés de apenas exportar bezerros para serem engordados nos EUA; agora constrói sua própria capacidade de abate.
A competição no mercado global
A Mongólia também se destaca nesse cenário global com um rebanho estimado em 71 milhões de cabeças. Localizada entre Rússia e China, ela possui vantagens logísticas significativas quando se trata do fornecimento à China. Burciaga observa que isso pode representar um desafio futuro para o Brasil.
“Se a China quiser carne barata e acessível logisticamente, será difícil competir com a Mongólia”, alertou Burciaga sobre as dinâmicas que estão mudando rapidamente no setor.