LLMs geram respostas diversas por idioma – pesquisa aponta causa no treinamento | Discover 2026

LLMs geram respostas diversas por idioma devido à disparidade no treinamento e volume de dados disponíveis | Discover 2026.

O idioma pode mudar o desempenho da IA; entenda o que acontece por trás das respostas

Um mesmo modelo avançado de inteligência artificial pode gerar resultados muito diferentes ao receber exatamente a mesma tarefa, dependendo do idioma utilizado no comando ou nos materiais fornecidos. A disparidade não está ligada à dificuldade intrínseca da língua em si; ela reside na forma como os modelos foram treinados e processaram cada tipo linguístico.

Pesquisas recentes apontam que o desempenho dos grandes modelos de linguagem — conhecidos por siglas LLMs– é influenciado pela quantidade disponível de dados digitais, pelas características específicas das línguas envolvidas e pelo método técnico usado para tratar textos complexos.

O impacto variável: Dados versus capacidade técnica

Um estudo realizado durante a conferência EMNLP 2025 analisou treze versões desses modelos utilizando onze bases diferentes. Os pesquisadores descobriram diferenças notáveis no nível de performance entre idiomas distintos; além disso, observaram um ponto crucial ao constatar que os sistemas com melhor resultado geral não necessariamente demonstram maior equilíbrio em todas as variedades linguísticas.

Os LLMs aprendem padrões através do consumo massivo de texto — por isso o volume é fundamental —, mas nem todos os idiomas possuem essa mesma quantidade robusta de dados digitais na internet disponível para treinamento. Línguas como inglês e espanhol se beneficiam enormemente desse acervo vasto de artigos ou livros digitalizados nos processos internos das empresas tecnológicas.

Em contrapartida a esses grandes volumes existem línguas consideradas “de baixo recurso” (low – resource languages). Um estudo da EMNLP 2024, que avaliou mais de 250 códigos linguísticos diferentes, demonstrou ser possível melhorar modelos com poucos recursos adicionando material em outros idiomas; contudo, esse processo pode gerar efeitos negativos quando o modelo precisa dividir sua capacidade entre um número muito grande de variedades culturais distintas.

Tokenização: como as palavras chegam ao processamento

Antes mesmo do texto poder ser interpretado pelo sistema artificial, ele passa por uma transformação técnica onde é dividido em unidades menores chamadas tokens. Uma palavra inteira poderá virar apenas um token ou será quebrada em várias partes para representar a mesma informação completa no computador.

Essa divisão não ocorre da maneira mais simples e uniforme em todos os códigos linguísticos. Características gramaticais complexas — incluindo morfologia, ortografia detalhada e até formas específicas de formação das palavras —, fazem com que algumas línguas exijam o uso de muitos tokens só para transmitir dados relativamente poucos. Isso aumenta significativamente tanto custo computacional quanto possíveis falhas na geração do texto nesses idiomas específicos.

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O desempenho varia conforme tarefa específica

A estrutura intrínseca dos povos também conta muito nesse cálculo: português, inglês, japonês ou árabe possuem organizações gramaticais completamente diferentes entre si. Um modelo precisa aprender essas particularidades a partir da análise constante em seus exemplos treinados; por isso fatores como flexão verbal (conjugação), ordem natural das frases e expressões idiomáticas podem afetar tarefas específicas que vão desde tradução até resumo de documentos complexos.

Não se trata apenas uma questão binária sobre “inglês bom versus português ruim”. Uma avaliação publicada pela PoETa v 2 ano 2025 analisou mais de vinte modelos testando – os em um acervo com mais de quarenta funções distintas na língua portuguesa, mostrando o impacto direto do investimento computacional no desempenho. Além disso, outro benchmark realizado pelo ACL já avaliou sistemas em sessenta e um idiomas diferentes; os resultados apontaram diferenças persistentes entre inglês e línguas menos representadas digitalmente. É fundamental entender que a performance varia conforme tanto a capacidade da ferramenta quanto como ela foi utilizada.

O uso profissional exige teste prático

Para quem utiliza IA diariamente para produzir relatórios ou analisar informações complexas, não basta apenas perguntar se uma determinada plataforma “suporta português”. É crucial verificar exatamente quão bem o modelo performa na tarefa específica proposta no momento do comando.

Em muitos casos de trabalho técnico brasileiro, usar comandos em língua portuguesa é até mais adequado porque consegue preservar melhor todo contexto cultural e objetivo desejado pelo usuário final.

A variação entre idiomas mostra que os resultados são resultado combinado tanto fatores técnicos quanto linguísticos: a quantidade disponível de dados; como ocorre essa tokenização interna; qual estrutura gramatical está sendo processada durante um treinamento específico. Portanto, para empresas ou profissionais envolvidos com IA profissionalmente, conhecer essas nuances técnicas não só ajuda — ele garante saber avaliar se uma resposta gerada deve ser considerada precisa apenas por estar bem escrita na superfície do texto. A qualidade da informação sempre deverá ter o idioma, a tarefa realizada e até mesmo nível de risco em consideração ao seu uso prático no dia a dia.