Lira desempenhou um papel na articulação bolsonarista para revogar a anistia dos golpistas

O ex-presidente da Câmara obteve o respaldo de integrantes do Centrão na proposta e pressionou Motta a indicar que incluiria o perdão aos apoiadores de …

07/08/2025 09:55

3 min

Lira desempenhou um papel na articulação bolsonarista para revogar a anistia dos golpistas
(Imagem de reprodução da internet).

Após mais de 30 horas de obstrução bolsonarista, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), somente conseguiu reassumir a presidência da Casa na noite de quarta-feira 6 ao indicar que respeitaria a vontade da maioria em relação à pauta da anistia aos golpistas de 8 de Janeiro e à PEC que altera as regras do foro privilegiado.

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A retirada da oposição ocorreu após uma reunião de mais de quatro horas na Residência Oficial da Presidência da Câmara, seguida por mais duas horas de impasse no plenário, onde os deputados continuavam impedindo Motta de ocupar a Mesa. A crise somente foi solucionada após a intervenção do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que atuou como articulador ao lado de líderes do Centrão.

PP, União Brasil, Republicanos e PSD, sob mediação de Lira, assumiram-se comprometidos com a tramitação das duas pautas centrais para os bolsonaristas: o projeto de anistia – que pode beneficiar inclusive Jair Bolsonaro (PL) – e a PEC que limita o alcance do foro privilegiado, removendo da competência do Supremo Tribunal Federal o julgamento de parlamentares após o término de seus mandatos.

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Durante a reunião, Motta não estabeleceu um compromisso direto, mas afirmou que atenderia à decisão da maioria dos líderes partidários. A base do governo Lula (PT) protestou e alegou que não houve acordo. O Centrão, contudo, cedeu às pressões de bolsonaristas e autorizou a tramitação dos projetos.

A oposição foi motivada pela reação à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro, e ocorreu em um contexto de maior esforço para reverter avanços do Judiciário sobre o Legislativo – incluindo a imposição de tornozeleira eletrônica ao senador Marcos do Val (Podemos-ES).

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Nós construímos o compromisso com essas lideranças [o Centrão] de, na próxima semana, abrir os trabalhos da Casa pautando a mudança do foro privilegiado para tirar a chantagem que deputados e senadores vêm sofrendo por parte de alguns ministros do STF. Junto com o fim do foro, nós pautaremos a anistia dos presos políticos, disse Sostenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal, após fim da sessão de ontem.

Apesar do otimismo da oposição, Motta não estabeleceu prazo para as eleições. Ele também não confirmou se haverá sessão nesta quinta-feira, 7, ou na semana seguinte. A assessoria da Mesa Diretora declarou apenas que há previsão de início dos trabalhos para as 12h de hoje, sem pauta definida.

Nos bastidores, parlamentares de esquerda, centro e até da direita consideram que Motta exibiu fragilidade. Alegam que a situação do presidente aguardando, por aproximadamente seis minutos, para ocupar sua cadeira, em meio a gritos e pressão da oposição, evidenciou sua carência de controle da Câmara. O emprego de Lira como “bombeiro” apenas intensificou a impressão de que Motta ainda não estabeleceu sua liderança diante de uma Assembleia polarizada e cada vez mais influenciada por projetos radicais.

Fonte por: Carta Capital

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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