O Nascimento de um Bloco com Ideais e Cores
Nos anos 70, em meio à repressão da ditadura militar, um grupo de arquitetos, ligados a movimentos de esquerda, encontrou refúgio no Sítio Histórico de Olinda. Eles acompanhavam os tradicionais desfiles do Elefante e da Pitombeira, mas sentiam uma crescente insatisfação com a violência e a escassez de agremiações.
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Acreditavam que o carnaval em Olinda poderia ser muito mais vibrante e representativo.
A Criação do Língua Ferina
Em 1976, decididos a mudar essa realidade, um grupo de amigos arquitetos, liderados por Maria Alice Soares – conhecida como Alice Baixinha – organizou um bloco. Em um domingo de Virgens, antes do carnaval, contrataram uma charanga e deram início ao que seria o Língua Ferina.
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A escolha do nome foi resultado de uma votação, e a opção final, surpreendentemente, foi “Eu Acho é Pouco”.
As Cores e o Estandarte
As cores do novo bloco, vermelho e amarelo, foram propostas durante a reunião que deu origem ao nome. Segundo o livro “Eu Acho é Pouco: O Carnaval em Vermelho e Amarelo”, a arquiteta Neide Câmara sugeriu as cores, buscando representar os ideais comunistas dos fundadores.
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A lenda conta que o vermelho vinha da Rússia e o amarelo da China. O primeiro estandarte foi improvisado com papelão, cabo de vassoura e retalhos de outdoor, criado pelo artista plástico Roberto Lúcio de Oliveira. Apenas em 1979 ele ganhou um material mais elaborado.
O Mascote e a Evolução do Bloco
Antes do dragão chinês, que surgiu com 15 metros de altura e foi trazido pelo arquiteto Breno Mattos, o bloco contava com uma cobra chamada Salamanta Boi, que viajava nos desfiles. O dragão, que se tornou um símbolo, foi incorporado oficialmente nos anos seguintes e, até hoje, não só é visto, mas também abriga foliões em seu interior.
Nos anos 90, surgiu o dragão baby, uma versão infantil do bloco, o “Eu Acho é Pouquinho”.
