Linchamento de Yuri Cavalcante: Polícia Civil aponta indiciamento e detalhes chocantes!

Polícia Civil de São Paulo conclui inquérito sobre linchamento de Yuri Cavalcante
A Polícia Civil de São Paulo finalizou o inquérito que investigou o linchamento sofrido por Yuri Cavalcante, um jovem negro de 25 anos. O incidente ocorreu em uma via pública na madrugada de 22 de março do ano passado, após ele ser acusado injustamente de furtar um celular.
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O relatório final, ao qual a Ponte teve acesso, aponta o indiciamento de apenas um dos três indivíduos que foram filmados em uma câmera de segurança agredindo e ameaçando Yuri.
Apenas um suspeito é indiciado por tentativa de homicídio
O delegado Adailton Santos de Queiroz, do 9º Distrito Policial (Carandiru), conduziu a investigação e indiciou Matheus Sampaio Camarda, também um jovem negro de 24 anos, por tentativa de homicídio. As imagens de segurança anexadas ao inquérito mostram claramente a agressão.
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O vídeo registra Yuri sendo derrubado após receber um chute nas costas de Matheus. Caiu na sarjeta e, acreditando estar sendo assaltado, foi agredido com socos na cabeça.
Envolvimento de Ellen Wirth Ribeiro Auada e Felipe dos Santos Antônio
As agressões tiveram início quando Ellen Wirth Ribeiro Auada, uma jovem branca de 21 anos, acusou Yuri de furtar seu celular. Ela também aparece na gravação agredindo a vítima, mas não foi indiciada pela Polícia Civil.
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Em depoimento, Ellen admitiu ter participado dos atos. Segundo ela, a perseguição começou após rastrear o aparelho supostamente roubado, cuja localização apontava para a avenida onde Yuri voltava para casa, antes do linchamento na zona norte de São Paulo, na General Ataliba Leonel.
Versões conflitantes sobre ameaças e apurações
Outro envolvido, Felipe dos Santos Antônio, de 34 anos, um homem negro que trabalhava como segurança no bar, não foi indiciado. Ele dirigia o carro que levou Ellen e Matheus ao local.
Yuri relatou que foi Felipe quem o ameaçou com uma arma de fogo enquanto ele estava caído, após ser espancado por Matheus. “Ele desceu do carro com a arma apontada para mim, perguntando: ‘Cadê o celular?’. (…) Tive certeza de que ia morrer, foi horrível.
Aí apaguei”, contou Yuri à Ponte em março passado.
Divergências e pendências na investigação
A polícia, por sua vez, não indiciou os outros dois envolvidos. Felipe, ao depor como testemunha, negou ter ameaçado Yuri com uma arma, alegando ter portado apenas uma lanterna, que entregou aos policiais.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou um laudo comparando a lanterna apreendida com um objeto visível nas mãos de Felipe nas imagens. O delegado Adailton Santos de Queiroz solicitou prorrogações para o envio do laudo, concedidas pelo MP em outubro do ano passado e em janeiro deste ano.
A perspectiva da vítima e a busca por justiça
Yuri, publicitário, expressa sua insatisfação com o fato de apenas Matheus ter sido indiciado. Ele questiona a falta de responsabilização de Ellen e Felipe, que, segundo ele, são culpados por tudo o que ocorreu.
“Os três são culpados por tudo o que aconteceu, não só o Matheus. Eu quero que ele pague, mas acho injusto que só um seja responsabilizado”, afirmou Yuri. Ele considera o processo um passo importante para que casos como esse recebam mais seriedade da sociedade.
Impacto do trauma e o futuro da vítima
O jovem, que se mudou para a Austrália no ano passado, descreve os ferimentos graves, citando “múltiplas lesões traumáticas cranianas” e “edema na região nasal e hematomas na região do crânio” em seu laudo médico.
Embora tenha evitado sequelas motoras ou intelectuais permanentes, Yuri foi diagnosticado com estresse pós-traumático. Ele relata que, mesmo em outro país, ainda sente angústia ao passar por ruas escuras, revivendo as agressões.
Yuri compartilha que é profundamente afetado por notícias de violência contra pessoas negras no Brasil, sentindo que “não só essa vítima poderia ser eu como fui eu”.
Posicionamentos das autoridades e próximos passos
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o 9º Distrito Policial reuniu elementos suficientes apenas para indiciar Matheus. A pasta ressaltou que novos indiciamentos podem ocorrer se o Ministério Público assim entender.
Sobre a perícia da lanterna, a SSP-SP esclareceu que se trata de uma diligência do Ministério Público e que o laudo ainda está em elaboração. O MPSP ainda não retornou com posicionamento oficial sobre o caso.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



