Max e Chloe se reencontram em uma aposta arriscada! “Life is Strange: Reunion” reacende o legado e tece uma trama eletrizante. Descubra o mistério de Abraxas e uma catástrofe iminente!
Poucos jogos conseguiram provocar uma reação emocional tão intensa quanto o primeiro “Life is Strange”. E “Life is Strange: Reunion” parece ter compreendido exatamente isso. Em vez de simplesmente reunir Max e Chloe em um encontro seguro e confortável, a Deck Nine decide apostar em algo mais ousado: mexer em uma história que muitos acreditavam ter chegado a um fim definitivo.
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Após uma demonstração de cerca de 90 minutos, revelada à imprensa, fica evidente que “Reunion” não busca ser apenas um agrado para os fãs. O jogo tenta conectar o legado do original com os acontecimentos de “Double Exposure”, mantendo Caledon no centro da trama e colocando Max novamente diante de uma catástrofe iminente.
O problema reside no fato de que, junto com essa ambição, o jogo também apresenta algumas escolhas narrativas e de texto que ainda soam um tanto instáveis. Quem esperava um retorno imediato ao clima melancólico de Arcadia Bay, pode se surpreender. “Reunion” continua diretamente de “Double Exposure”, com Max ainda ligada a Caledon, aos personagens do núcleo original e ao mistério envolvendo Abraxas.
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A grande urgência inicial não é Chloe, mas sim uma visão recorrente de incêndio que ameaça destruir a universidade.
Essa decisão é inteligente. Em vez de usar Chloe como um atalho emocional logo no início, o jogo constrói a tensão a partir de um novo desastre, deixando o reencontro das duas como consequência da investigação. Isso confere um peso dramático maior ao retorno das duas, muito superior a uma simples cena destinada a um trailer.
Além disso, percebe-se que a equipe reaproveitou boa parte da estrutura visual e dos cenários de “Double Exposure”, o que ajuda a manter a continuidade e provavelmente explica como o projeto chegou tão rápido após o anúncio.
No papel, “Reunion” parece repetir fórmulas antigas. Max conversa com personagens, coleta pistas e utiliza seus poderes para corrigir erros ou avançar em situações complicadas. No entanto, pelas prévias, a execução está mais dinâmica do que em alguns capítulos anteriores da franquia.
Há momentos leves, como usar a volta no tempo para lidar com um indivíduo em uma noite de stand-up em um bar, mas também trechos de tensão real, como uma sequência em um prédio prestes a ser demolido com explosivos. Esse contraste funciona muito bem e devolve ao poder de Max uma sensação de utilidade dramática, não só de truque de diálogo.
O melhor acréscimo, contudo, é a alternância entre Max e Chloe. Max volta com o poder de voltar no tempo e Chloe retoma o sistema de usar seu “papo”, aquele minijogo verbal em que você precisa responder com timing e informação correta para vencer uma discussão.
Essa combinação enriquece bastante o ritmo das cenas.
Outro detalhe promissor é a forma como o jogo trata escolhas quando Max e Chloe estão juntas. Em certos diálogos, o jogador decide a resposta de Max ou de Chloe, com sinalização visual clara. Isso muda bastante a sensação de controle, porque você não está apenas moldando a conversa.
Está moldando duas pessoas com histórico, trauma e expectativas diferentes. A volta de Chloe é o grande chamariz de “Reunion”, e também o ponto mais delicado da proposta.
A Deck Nine tentou resolver o impasse clássico da franquia, já que a personagem poderia estar viva ou morta dependendo da escolha final do primeiro jogo. A solução apresentada nas prévias aponta para um estado liminar, uma espécie de existência entre versões da realidade. É uma saída funcional para encaixar a personagem em qualquer save, mas ainda soa abstrata demais no estágio atual. É um daqueles casos em que o jogo claramente está guardando as peças mais importantes do quebra-cabeça para depois.
A boa notícia é que, quando Max e Chloe finalmente dividem cena, a química volta com força. O reencontro tem aquele desconforto afetivo que faz sentido para duas pessoas que carregam passado, culpa e versões diferentes da própria memória. Se “Reunion” acertar a mão no tema de reencontro e fechamento emocional, ele pode encontrar uma identidade própria em vez de viver apenas de nostalgia.
“Life is Strange: Reunion” começa como um projeto arriscado, emocional e um pouco estranho, o que, curiosamente, combina bastante com a série. Ele herda a base de “Double Exposure”, amplia a agência do jogador com duas protagonistas jogáveis e parece ter uma ideia temática interessante sobre luto, memória e a dificuldade de seguir em frente.
Ao mesmo tempo, a justificativa inicial para o retorno de Chloe ainda parece nebulosa demais, e alguns diálogos podem afastar quem esperava um tom mais maduro. Mesmo assim, a impressão geral é melhor do que o ceticismo inicial fazia parecer. Existe substância aqui.
Agora tudo depende de como o jogo vai sustentar essa promessa até o fim.
“Life is Strange: Reunion” será lançado em 26 de março de 2026 para PS5, Xbox Series X|S e PC (Steam e Microsoft Store), como uma aventura completa e não episódica.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.