Lideranças Negros de Pernambuco se Unem Contra Projeto que Visa Excluir Culturas Afro-Brasileiras

Lideranças negras de Pernambuco se unem para barrar projeto que ameaça história e cultura afro-brasileira. Debate crucial na Assembleia Legislativa

(Imagem de reprodução da internet).

Lideranças Negros de Pernambuco se Reúnem para Combater Projeto de Lei que Busca Reduzir Ensino de Culturas Afro-Brasileiras e Indígenas

Em uma demonstração de união, mais de 20 lideranças e representantes de diversas entidades negras de Pernambuco se reuniram na terça-feira, 9, para discutir estratégias de enfrentamento ao projeto de lei federal nº 1.007/2025. A proposta, apresentada pela deputada Clarissa Tércio (PP), propõe que aulas sobre história e cultura afro-brasileiras e indígenas se tornem de participação facultativa para estudantes da educação básica.

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Preocupação com o Enfraquecimento de Instrumentos de Combate ao Racismo

A iniciativa da deputada é vista por muitos como um passo atrás no combate ao racismo no país. A reunião, que ocorreu no gabinete do deputado João Paulo (PT) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), reuniu educadores, líderes comunitários e representantes de movimentos sociais.

O parlamentar, que integra a Comissão de Educação e Cultura da Alepe, ressaltou a necessidade de mobilização social diante da configuração conservadora do Congresso Nacional.

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“Precisamos fortalecer essa articulação de forças para garantir a implementação desta política pública, que é o ensino de cultura e história afro-brasileira e indígena nas escolas, em todas as esferas – municipal, estadual e federal”, declarou João Paulo.

A iniciativa busca garantir que o ensino de culturas afro-brasileiras e indígenas permaneça como parte integrante do currículo escolar.

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Especialistas Alertam para os Riscos da Mudança

A professora Valéria Costa, do departamento de História da UFPE, enfatizou a importância da história da África para a compreensão da humanidade. “Desestimular esse aprendizado limita a compreensão das crianças e dos jovens sobre o mundo e sobre a nossa própria história”, afirmou.

Rafael Nascimento, pesquisador e mestre em educação, criticou o projeto, considerando-o uma tentativa de “apagar instrumentos que foram criados para termos uma sociedade mais democrática e republicana”.

Nascimento ressaltou que o estudo da história africana e indígena não se trata de doutrinação, mas sim de uma compreensão mais profunda da realidade brasileira. Ele acredita que o projeto de lei reflete a existência de grupos que negam a existência do racismo no país.

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Próximos Passos: Mobilização e Audiências Públicas

O grupo de lideranças negras planeja divulgar uma nota pública de protesto contra o projeto de lei e ampliar o número de pessoas envolvidas no enfrentamento. Além disso, buscarão realizar audiências públicas em nível estadual e municipal para debater o cumprimento das leis federais que garantem o ensino de história e cultura indígena, africana e afro-brasileira nas escolas públicas de Pernambuco.

A Lei de Diretrizes e Base da Educação nacional estabelece os conteúdos e objetivos da educação nacional, enquanto as leis específicas tornam obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira e indígena nas redes públicas de educação.