Líder de tráfico, Lindomar Reges Furtado, é condenado a 37 anos de prisão no Rio de Janeiro

Justiça Federal do Rio de Janeiro condena Lindomar Reges Furtado a 37 anos por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Descubra os detalhes dessa operação

Justiça Federal do Rio de Janeiro condena líder de tráfico a 37 anos de prisão

A Justiça Federal no Rio de Janeiro sentenciou a 37 anos de prisão um homem identificado como líder de uma organização criminosa dedicada ao tráfico transnacional de cocaína e à lavagem de dinheiro. A decisão, emitida nesta sexta-feira (15), refere-se a Lindomar Reges Furtado, que enfrentou mais de 400 acusações, incluindo: Organização Criminosa, com agravantes de liderança e conexões internacionais; Tráfego Transnacional de Drogas, com condenação por 15 episódios de tráfico; e Lavagem de Dinheiro, pela prática de 380 atos de lavagem de capitais.

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Ele foi absolvido de uma única acusação de tráfico devido à falta de provas sobre a natureza da substância em uma remessa específica. Lindomar, junto com Cristiano Mendes de Córdova Nascimento, era responsável por decisões estratégicas, negociações com fornecedores na América do Sul e compradores no exterior, além da gestão financeira do grupo.

Desde fevereiro de 2025, ele está preso preventivamente após a deflagração da Operação Turfe da Polícia Federal.

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Detalhes da condenação e operações do grupo

No dia da operação, em 2022, Lindomar conseguiu fugir de sua residência e foi considerado foragido pela Justiça por três anos, até ser capturado no ano passado. O tribunal manteve sua prisão preventiva, citando a gravidade dos crimes, o risco de reiteração delitiva e sua forte conexão com narcotraficantes internacionais, o que indicava a possibilidade de nova fuga.

Segundo a decisão, o grupo teria contrabandeado mais de seis toneladas de cocaína para a Europa entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2022, utilizando contêineres marítimos e uma rede de casas de câmbio.

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Além de Lindomar, outras 17 pessoas foram condenadas em decorrência da operação. A defesa de Lindomar anunciou que irá recorrer da sentença, alegando que durante o processo foram identificadas diversas falhas ilegais na investigação.

Atuação da organização criminosa

A organização criminosa atuava em toda a cadeia de comercialização da cocaína, desde a aquisição com fornecedores na Bolívia e Colômbia até a entrega a compradores em portos europeus, como Antuérpia (Bélgica), Roterdã (Países Baixos) e Gioia Tauro (Itália).

As investigações revelaram que o grupo contava com o apoio de uma segunda organização criminosa, liderada pelos irmãos paraguaios Riquelme Oviedo, especializada em câmbio paralelo.

Além disso, a organização utilizava contas bancárias de empresas de fachada para realizar pagamentos a fornecedores e colaboradores, dificultando o rastreamento da origem ilícita dos recursos. Para adquirir bens de luxo, como uma propriedade avaliada em R$ 4,5 milhões, Lindomar utilizava familiares e parceiros internacionais para registrar os bens em nomes de terceiros.

Início da investigação e infiltração policial

A investigação teve início a partir de uma denúncia da DEA, a Agência Antidrogas dos Estados Unidos, em junho de 2020. Após diligências preliminares, a Polícia Federal solicitou uma medida de infiltração policial, que foi autorizada judicialmente em 25 de novembro do mesmo ano.

O agente infiltrado se apresentou como alguém com conexões no Porto do Rio de Janeiro, capaz de facilitar a entrada de drogas e evitar a fiscalização.

O disfarce permitiu que o policial tivesse acesso direto a Lindomar e Cristiano, participando de reuniões em locais de luxo, onde os líderes discutiram abertamente sua experiência de 10 anos no tráfico, conexões na Europa e o uso de empresas de fachada.

A equipe de advogados de Cristiano, que recebeu uma pena de 26 anos em uma decisão separada, também questionou a legalidade da infiltração policial que fundamentou a investigação.