Libertação de Erfan Soltani em meio a protestos no Irã
Erfan Soltani, um iraniano preso em conexão com os protestos antigovernamentais e supostamente condenado à morte, foi solto sob fiança, conforme relatado por um grupo de direitos humanos e pela mídia estatal do Irã. Ele foi detido em 10 de janeiro em sua residência em Fardis, localizada a cerca de 40 quilômetros de Teerã.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Soltani enfrentou acusações de “conspiração contra a segurança interna do país” e “atividades de propaganda” contra o regime, segundo a emissora estatal IRIB. Após sua prisão, o Departamento de Estado dos EUA e familiares de Soltani alertaram sobre planos de execução, mas a IRIB classificou essas informações como “notícias fabricadas”.
Reações e contexto dos protestos
A família de Soltani posteriormente informou que sua execução havia sido adiada. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter recebido garantias de que não havia planos de execução no Irã, em meio a preocupações sobre o destino de Soltani.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
No último sábado (31), sua libertação foi confirmada pela organização de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, e pela emissora Press TV.
O caso de Soltani se tornou um dos mais notórios durante os intensos protestos que ocorreram no Irã no mês passado, que foram respondidos com uma repressão violenta e um bloqueio prolongado da internet. Relatos indicam que mais de 6.400 manifestantes foram mortos e mais de mil foram presos desde o início dos protestos, de acordo com a HRANA, uma agência de notícias de ativistas de direitos humanos.
LEIA TAMBÉM!
Violência e repressão das autoridades
Apesar do bloqueio da internet, informações sobre a repressão brutal continuaram a emergir, com testemunhas e ativistas relatando violência generalizada contra os manifestantes. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, atribuiu algumas mortes a Trump, que teria “incentivado abertamente” os protestos ao prometer apoio militar.
Enquanto os protestos se intensificavam, Trump encorajou os iranianos a continuarem suas manifestações, assegurando que “a ajuda estava a caminho”. No entanto, não houve ação militar durante os protestos ou na repressão subsequente, embora os EUA tenham aumentado sua presença militar na região.
Negociações e tensões com os EUA
Em uma postagem na rede social Truth Social, Trump exigiu que o Irã se sentasse à mesa de negociações para um “acordo justo e equitativo – SEM ARMAS NUCLEARES”, alertando que um próximo ataque dos EUA seria “muito pior” do que o realizado anteriormente contra instalações nucleares iranianas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comentou sobre a situação, enquanto Khamenei adotou um tom desafiador, advertindo que um ataque dos EUA resultaria em uma guerra regional. O Irã possui uma das maiores taxas de execução do mundo e já executou manifestantes após grandes protestos e distúrbios.
