Paul Krugman alerta sobre os perigos do ataque de Donald Trump a Jerome Powell, destacando consequências graves para a economia e a independência do Fed.
O economista norte-americano Paul Krugman expressou sua preocupação em relação ao ataque do governo dos Estados Unidos ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Ele acredita que essa ação pode ter efeitos adversos. Para Krugman, essa intimidação afeta não apenas Powell, mas todos os membros da autoridade monetária e aqueles que se opõem à agenda do presidente Donald Trump.
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Em declarações feitas na terça-feira (13), Krugman afirmou que a situação não se limita ao Fed, mas é parte de um ataque mais amplo a quem discorda de Trump. Ele também mencionou a postura de ex-presidentes e membros do Fed, ressaltando que, apesar de Trump ter se autodenominado “presidente interino da Venezuela” recentemente, isso não reflete a realidade.
Krugman argumenta que o ataque de Trump pode “sair pela culatra” por três motivos principais. Primeiro, ele acredita que os juros não devem ser reduzidos no curto prazo, pois o Fed hesitará em cortar taxas para não dar a impressão de que a intimidação de Trump está surtindo efeito.
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Essa hesitação deve continuar mesmo após a escolha de um novo presidente do Fed, já que o mandato de Powell se encerra em maio de 2026.
O segundo ponto destacado por Krugman é que um banco central politizado pode apenas reduzir as taxas de juros de curto prazo temporariamente. Com o aumento da inflação, o Fed será forçado a elevar as taxas mais do que estavam anteriormente, citando a Turquia como exemplo, onde a inflação disparou para 80%.
Por fim, Krugman alerta que atacar a independência do banco central dos EUA pode resultar em um aumento das taxas de juros de longo prazo, que são cruciais para a economia. Ele explicou que os investidores em títulos percebem que a pressão política sobre o Fed pode levar a taxas de juros de curto prazo mais altas.
Embora as taxas de longo prazo nos EUA não tenham se alterado significativamente após o ataque a Powell, Krugman observou um leve aumento. Ele também comentou que, se membros de alto escalão do governo Trump, como o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, tivessem “alguma integridade”, teriam ameaçado renunciar em massa, o que não ocorreu.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.