Kleber Mendonça Filho revela os segredos do sucesso mundial de “O Agente Secreto”, um thriller que conquista prêmios e corações. Descubra mais!
O cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho não tem certeza do que fez seu quarto longa-metragem, “O Agente Secreto”, se tornar um sucesso mundial, mas acredita que isso pode estar ligado à crescente imagem positiva do Brasil. O filme, um thriller político que retrata um acadêmico fugitivo no Recife durante a ditadura nos anos 1970, já conquistou prêmios no Globo de Ouro e em Cannes, e agora está na disputa por quatro Oscars, incluindo melhor filme e melhor ator.
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O sucesso de “O Agente Secreto” segue o impacto de “Ainda Estou Aqui”, que no ano anterior se tornou o primeiro filme brasileiro a ganhar um Oscar.
Em uma entrevista realizada por Zoom a partir de Paris, Mendonça Filho discute a recepção internacional do filme, a evolução da indústria audiovisual no Brasil e suas perspectivas para dirigir uma produção fora do país. A conversa foi editada para maior clareza.
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Quando questionado sobre o apelo global do filme, Kleber Mendonça Filho afirma que sua trajetória anterior ajudou a construir uma base sólida. Ele menciona que os recentes desenvolvimentos políticos no Brasil têm atraído atenção e contribuído para a recepção positiva do filme.
Além disso, destaca o impacto de “Ainda Estou Aqui” e a presença do ator Wagner Moura, que traz uma conexão internacional ao projeto.
O diretor também reflete sobre a mistura de elementos fantásticos e distópicos em suas narrativas, como a cena da “perna cabeluda” em “O Agente Secreto”. Ele menciona que, embora admire autores como Gabriel García Márquez, não se considera influenciado diretamente por eles, mas sim pela combinação do realismo com o fantástico, que é uma característica que lhe interessa.
Kleber Mendonça Filho acredita que as políticas públicas desempenharam um papel crucial na evolução do cinema brasileiro. Ele destaca que, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve um esforço para distribuir recursos públicos que beneficiassem produções fora dos tradicionais centros de cinema, como Rio de Janeiro e São Paulo.
Essa abordagem permitiu que novos autores, como ele, pudessem mostrar suas obras e contribuir para a construção de uma identidade brasileira através do audiovisual.
O crescimento da indústria audiovisual no Brasil é frequentemente comparado ao da Coreia do Sul, que possui um setor forte. Mendonça Filho acredita que o Brasil pode desenvolver algo semelhante, ressaltando a importância do apoio à expressão artística garantido pela Constituição do país.
Sobre a coprodução com a Netflix, o diretor menciona que o Brasil precisa se equiparar a outros países e taxar as plataformas de streaming que operam localmente. Ele acredita que essas plataformas, que lucram com a indústria brasileira, deveriam contribuir para a produção audiovisual nacional.
O filme terá sua estreia no Brasil antes de ser lançado na plataforma, e ele enfatiza a importância de respeitar o tempo de exibição nos cinemas.
Mendonça Filho também expressa seu desejo de que milhões de brasileiros que não têm acesso a salas de cinema possam assistir ao filme na Netflix, mas na hora certa.
Quando questionado sobre seus próximos projetos, o diretor revela que está aberto a novas ideias, incluindo a possibilidade de contar histórias fora do Brasil. Ele destaca que cada filme representa um desafio único e que “O Agente Secreto” foi uma oportunidade de revisitar a história do país e de Recife, evitando o uso da palavra “ditadura” de forma direta.
Com a aproximação do Oscar, Kleber Mendonça Filho reflete sobre o significado desse momento para a indústria cinematográfica brasileira. Ele acredita que o sucesso de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” está ligado à representação do Brasil nas telas e à crescente projeção das imagens brasileiras no exterior.
O filme, com seus mais de 60 personagens, reflete as contradições do país, abordando temas como amor, afeto e a complexidade da realidade brasileira.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.