Kleber Mendonça Filho brilha em Los Angeles: “O Agente Secreto” disputa quatro Oscars!

Kleber Mendonça Filho brilha em Los Angeles para o Oscar 2026! Seu filme “O Agente Secreto” concorre a quatro estatuetas. Descubra sua trajetória inspiradora!

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(Imagem de reprodução da internet).

Kleber Mendonça Filho em Los Angeles para o Oscar 2026

O cineasta Kleber Mendonça Filho, de 57 anos, está em Los Angeles, nos Estados Unidos, para participar da cerimônia do Oscar, que ocorrerá no próximo domingo (15) no Dolby Theatre, na famosa Hollywood Boulevard. Seu filme, “O Agente Secreto”, está concorrendo a quatro estatuetas e representa uma trajetória que começou no final da década de 1980, marcada por câmeras emprestadas e sessões diárias de cinema.

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José Afonso Jr., professor da UFPE e colega de Kleber desde 1988, detalha a construção desse repertório. “Na época, Kleber viajou para a Inglaterra e voltou muito antenado, trazendo um vasto conhecimento, quase como uma internet do cinema antes da internet”, comenta Afonso.

Influências e Formação

A sensibilidade de Kleber para a preservação da história do cinema tem raízes familiares. Sua mãe, Joselice Jucá, historiadora da Fundação Joaquim Nabuco, foi fundamental em sua formação, apoiando seus primeiros passos na carreira. Ela faleceu em 1995.

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Afonso também menciona a madrasta de Kleber, Estela, de 90 anos, que o apoia e elogiou a forma como o filme retrata as pontes do Recife.

Durante a faculdade, em um Recife com acesso limitado a publicações especializadas, Kleber investia todos os seus recursos em sua formação cinematográfica. “Ele nunca se preocupou em ter roupas ou sapatos caros. Todo o dinheiro que conseguia era para comprar revistas como a Cahiers du Cinéma ou pedir fitas VHS de filmes que não estavam disponíveis no Brasil”, relata Afonso.

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Experimentação e Rigor Técnico

A urgência em produzir levou Kleber e seus amigos a transformarem suas casas em estúdios improvisados, onde ele já demonstrava uma “precisão maníaca” com o som. Afonso recorda que, desde o início, o grupo realizava experimentos práticos que iam além da sala de aula, utilizando uma câmera VHS para seus primeiros curtas e videoclipes, alguns dos quais foram exibidos na MTV.

Essa fase inicial foi o embrião do rigor técnico que se tornaria a marca registrada de Kleber. “Ele dedicava muito mais tempo à mixagem do som do que qualquer outra pessoa. Isso sempre foi muito presente em seu trabalho”, afirma Afonso.

Referências e Coerência Artística

Em “O Agente Secreto”, a influência de Steven Spielberg, que Kleber acompanhava em fitas importadas, é evidente em cenas que remetem a clássicos como “E.T.” e “Tubarão”, conectando lendas urbanas do Recife ao repertório de Hollywood. Um dos momentos mais emocionantes para a turma de 1988 é o arco do personagem Alexandre, o projecionista, que Kleber já havia documentado em seu trabalho de conclusão de curso em 1992.

Ver Alexandre na tela, mais de 30 anos depois, é um testemunho da coerência artística do diretor. “Eu me reconheço e me pertenço àquilo”, diz Afonso. Apesar do reconhecimento internacional, Kleber mantém uma vida comum no Recife, onde continua a buscar os filhos na escola de bicicleta e a circular pela cidade com naturalidade.

Recife como Estúdio

Para Afonso, Recife não é apenas um cenário, mas o estúdio do cineasta. “Recife é o estúdio de Kleber. No filme ‘O Som ao Redor’, ele aborda questões contemporâneas do cotidiano local, pois essas situações também ocorrem aqui”, afirma.

Ele rebate críticas sobre um suposto regionalismo da obra, comparando-a a grandes nomes do cinema mundial.

A universalidade das obras de Kleber se reflete no impacto emocional que causam, até mesmo em seu círculo mais íntimo. Afonso menciona que sua mãe, de 90 anos, assistiu a “O Agente Secreto” e se reconheceu nas pontes e no enredo, apesar de se chocar com alguns palavrões do roteiro.

Ele também observa que suas próprias imagens de arquivo e fotografias da cidade foram incorporadas nos filmes de Kleber, como em “Retratos Fantasmas”. “Eu me reconheço e me pertenço nessas obras. É a nossa história sendo contada”, conclui Afonso, ressaltando a vivência urbana que transforma Recife em um estúdio universal.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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