Kleber Mendonça Filho brilha em Hollywood, finalizando a campanha para o Oscar de “O Agente Secreto”. Descubra como sua trajetória na UFPE moldou essa obra!
O cineasta Kleber Mendonça Filho está em Hollywood, finalizando a campanha para o Oscar de seu mais recente filme, “O Agente Secreto”. A cerimônia ocorrerá em Los Angeles, nos Estados Unidos, no próximo domingo, dia 15.
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Na nova obra, Kleber retorna às suas raízes na educação, utilizando a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), onde se formou em jornalismo, como parte do cenário. Ao filmar nos corredores da universidade, o diretor destaca o ambiente acadêmico brasileiro no cinema mundial.
O professor José Afonso Jr., 56 anos, que foi colega de Kleber na UFPE em 1988, testemunhou o início da trajetória artística do cineasta. “Ele já tinha um forte interesse por cinema e imagem em movimento”, relembra Afonso, que destaca a falta de cursos específicos na época, levando muitos a optarem pelo jornalismo.
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“Kleber começou fazendo VHS e assistia a filmes quase diariamente, muitas vezes faltando às aulas para isso. Ele escrevia sobre os filmes, mesmo sem ser uma tarefa acadêmica”, conta o professor.
Em “O Agente Secreto”, a vivência acadêmica se reflete em locações como o Departamento de Oceanografia da UFPE, onde são filmadas cenas envolvendo um necrotério e a temática dos tubarões, inspirada na obra de Steven Spielberg e na realidade das praias de Recife.
Para Afonso, o protagonista, interpretado por um indicado ao Oscar, simboliza a proteção do conhecimento. “A universidade, que foi perseguida em regimes anteriores, aparece no filme como um espaço de resistência”, analisa o professor, que vê a escolha dos cenários como um gesto de gratidão de Kleber.
O compromisso do diretor com a educação pública se estende além do campus, com cenas gravadas no Ginásio Pernambucano, a escola pública mais antiga do Brasil, fundada em 1825. Mesmo com o sucesso em Cannes em 2025 e a corrida pelo Oscar, Kleber mantém laços com sua turma da faculdade, participando ativamente dos encontros anuais.
“Ele continua em contato com a turma, sem qualquer vaidade”, afirma Afonso. Ao transformar Recife e suas instituições em um “estúdio” permanente, Kleber projeta as tensões contemporâneas a partir de sua própria experiência educacional, mostrando que seu caminho até o Oscar passou pelas salas de aula da universidade pública.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.