Laboratório de Energia Atômica’: kit infantil vinha com urânio de verdade

O kit de 50 dólares (equivalente a mais de 600 dólares hoje) foi descontinuado em 1952 não por proibição, mas pelo alto custo.

Kits com urânio de verdade: a era em que brinquedos radioativos eram vendidos para crianças na Guerra Fria

Na década de 1950, em meio ao entusiasmo com a energia nuclear, um brinquedo infantil vendido nos Estados Unidos chamava a atenção por um detalhe no mínimo curioso: trazia amostras reais de urânio. O kit, chamado de Laboratório de Energia Atômica Gilbert U-238, permitia que crianças fizessem experimentos em casa com minérios radioativos.

O produto foi lançado pela Gilbert Toys, fabricante conhecida por seus jogos educativos. Naquele período, a energia atômica era celebrada como o futuro da humanidade, e a ideia de incluir material radioativo em um brinquedo não gerava o alarme que causaria hoje — um reflexo da pouca percepção sobre os riscos da exposição frequente à radiação.

O que vinha dentro do kit de urânio

Lançado originalmente em 1950 em um estojo bege, o produto ganhou uma versão reformulada no ano seguinte, agora em uma caixa vermelha. O conjunto trazia quatro tipos diferentes de minério de urânio, além de instrumentos de medição reais, como um contador Geiger, um eletroscópio para detectar cargas elétricas e um espintariscópio, usado para observar a desintegração de partículas ao vivo.

Apesar de o kit emitir radiação de verdade, a quantidade de material era insuficiente para provocar uma reação nuclear em cadeia. A intenção da fabricante era educar e despertar o interesse dos jovens por carreiras científicas em um momento de rápida expansão tecnológica nos Estados Unidos.

Preço alto foi o motivo do fim das vendas

O brinquedo ficou pouco tempo no catálogo. Em 1952, foi substituído por uma versão com menos material radioativo. O motivo do encerramento, porém, não foi uma proibição do governo, mas o custo: o kit custava 50 dólares na época, valor que hoje equivaleria a mais de 600 dólares.

O fascínio pela era atômica também se espalhou por outros produtos de consumo entre as décadas de 1950 e 1970. Um exemplo é a bala Atomic Fire Ball, da fabricante Ferrara Pan, de Illinois. A embalagem do doce trazia a ilustração da explosão de uma bomba atômica, mostrando como o tema havia se infiltrado na cultura de massa daquele período.

Leia também