Conflito EUA-Israel no Irã: Crise se aprofunda! Professor Shen Yi alerta para a pressão militar e econômica sobre Teerã. Será que Washington tem munição para a “Fúria Épica”?
Após sete dias de conflito, ou seja, daqui a poucos dias, os recursos militares reais dos EUA serão colocados à prova: saberemos se Washington tem munição suficiente para sustentar a ofensiva contra o Irã, e se essa pressão é capaz de forçar Teerã a aceitar condições humilhantes de rendição.
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Se o conflito não for encerrado, será mais um desastre. A análise é do professor Shen Yi, da Escola de Relações Internacionais e Assuntos Públicos da Universidade de Fudan, em entrevista ao Brasil de Fato.
Enquanto o conflito escala, analistas questionam os planos e até mesmo a capacidade dos Estados Unidos de sustentar a agressão contra o Irã a longo prazo. Especialistas sul-coreanos consultados pelo portal, por exemplo, aventaram nesta semana a possibilidade de que sistemas de defesa antimísseis estadunidenses posicionados na Coreia do Sul sejam transferidos para a Ásia Ocidental (Oriente Médio), caso a operação, batizada de “Fúria Épica”, se prolongue.
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Entre os equipamentos que poderiam ser realocados estão as baterias de mísseis Patriot, o instalado no condado de Seongju, na província de Gyeongsangnam-do, e aeronaves de vigilância.
O Irã, por sua vez, demonstra uma capacidade de resposta considerável, lançando drones e mísseis em pequenas quantidades, de forma aleatória, dia após dia. Não é necessário causar grandes danos em cada ataque. Basta obrigar Israel a suspender sistematicamente suas atividades econômicas e sociais.
Se essa pressão durar mais de um ou dois meses, o impacto sobre a economia e a sociedade israelense será devastador. Foi exatamente o que começou a acontecer durante os doze dias de confronto de mísseis entre Israel e Irã em junho de 2025.
O que podemos esperar? Israel e os EUA provavelmente apostavam em dois cenários. O primeiro: após a eliminação de Khamenei e dos principais comandantes militares, a oposição iraniana tomaria as ruas e assumiria o poder, consumando uma revolução colorida por via aérea em questão de dias.
Esse cenário claramente não se materializou. O segundo cenário é mais complexo. Os ataques produziram dois efeitos concretos: o Irã ficou sem um líder supremo, atualmente governado por um conselho enquanto aguarda a eleição de um novo aiatolá, mas o sistema institucional não entrou em colapso.
O Irã não repetiu o que aconteceu com o Hezbollah libanês, cuja estrutura de comando foi desmantelada pelos ataques israelenses em 2024, paralisando toda a cadeia de controle.
O Irã é diferente. Seu desenho institucional prevê exatamente esse cenário: a descentralização antecipada do poder. O ministro das Relações Exteriores iraniano declarou recentemente algo muito revelador: o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica está, de fato, num estado sem controle efetivo.
O que isso significa na prática? Que os funcionários do governo iraniano atualmente visíveis, mesmo aqueles considerados pró-EUA ou dispostos a dialogar com Washington, não conseguem controlar a situação interna do país e, especialmente, não conseguem controlar a Guarda Revolucionária.
Isso transforma o Irã no adversário que mais dá dor de cabeça aos EUA: um Estado com capacidade para fazer guerra de guerrilha. A situação fica ainda mais delicada quando se observa que os EUA e Israel esperavam que o Irã se fragmentasse como a Síria.
Mas no Irã nunca existiram, como na guerra civil síria, forças armadas antigovernamentais maduras e capazes de controlar territórios específicos. O que houve foram situações parecidas com revoluções coloridas: cidadãos comuns mobilizados, somados a grupos de destruição e infiltração enviados por Israel ou outras forças políticas.
Esses grupos, nos distúrbios que ocorreram no Irã do final do ano passado ao começo deste ano, foram expostos e basicamente eliminados antes mesmo do início dos ataques. Ou seja, pela lógica dos próprios EUA e Israel, a máquina que mantém a ordem interna no Irã não entrou em colapso e não caiu num estado de paralisia só porque o topo foi decapitado.
O Irã declarou um período de luto de 40 dias. Acho que o ponto de virada na situação interna vai ser a eleição do novo líder supremo pelo conselho de especialistas. Quem vai ser eleito? Esse novo líder vai conseguir integrar de forma eficaz as forças militares e…
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.