Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru com 50,1% dos votos após virada no segundo turno
Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, assume a presidência do Peru em meio a contestações judiciais e uma margem apertada de votos sobre Roberto Sánchez
A apuração das urnas do segundo turno das Eleições Presidenciais no Peru atingiu 99,8% na terça-feira, dia 23 de maio de 2026. A candidata conservadora Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, conseguiu uma virada que lhe conferiu uma vantagem irreversível sobre Roberto Sánchez, representante da esquerda pelo Juntos por el Perú.
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Com 50,1% dos votos, Fujimori se distanciou de Sánchez, que obteve 49,8%, totalizando uma diferença de 43.386 votos. Apesar da pequena margem percentual, a quantidade de votos restante não é suficiente para alterar o resultado final.
Votos Restantes e Irreversibilidade do Resultado
Atualmente, restam apenas 131 atas a serem apuradas, que representam os votos de menos de 30 mil eleitores. Essa quantidade não é capaz de superar a vantagem já consolidada por Fujimori. Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, esclareceu que mesmo que todos os votos pendentes fossem favoráveis a Sánchez, a diferença seria maior do que o número de votos ainda não contabilizados. “A diferença entre os dois acaba sendo maior do que o que falta para contabilizar”, afirmou Roman.
Eduardo Dargen, professor da Pontifícia Universidade Católica do Peru, também considerou o resultado irreversível. Ele destacou que os órgãos fiscalizadores estão cientes da quantidade exata de votos restantes e que as atas já são conhecidas pelos fiscais.
Dargen comentou sobre tentativas de contestação por parte de Sánchez, mencionando que essas ações parecem servir mais para acalmar sua base radicalizada do primeiro turno do que para fundamentar uma real disputa eleitoral.
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Contestações e Recursos Judiciais
O partido Juntos por el Perú apresentou recursos judiciais na tentativa de anular votos considerados favoráveis a Fujimori. No entanto, esses pedidos foram considerados inadmissíveis pela Junta Eleitoral Central 2 de Lima devido ao atraso na apresentação e à falta de pagamento das taxas correspondentes.
A decisão ainda pode ser contestada judicialmente.
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Antes do anúncio da decisão sobre seus recursos, Sánchez alertou que a inação do tribunal eleitoral poderia resultar em um “benefício fraudulento” para Fujimori e convocou protestos em resposta. Patricia Rojas, diretora de Assuntos Públicos do Instituto Ipsos do Peru, observou que alguns recursos referentes às atas dos Estados Unidos e da região metropolitana de Lima já haviam sido considerados improcedentes.
Controvérsias Relacionadas à Votação no Exterior
Alegações de fraude não foram apresentadas pelo partido de Sánchez; no entanto, eles argumentaram que uma resolução emitida pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) antes da eleição alterou os procedimentos de contagem dos votos no exterior e reduziu os padrões de segurança jurídica.
O candidato não rejeita os votos dos peruanos residentes fora do país, mas discorda das mudanças implementadas recentemente.
Em resposta às críticas, o ONPE declarou em comunicado que as alterações nos métodos de contagem foram operacionais e solicitadas pelo Ministério das Relações Exteriores. Segundo o órgão eleitoral, essas mudanças não afetam a Lei Orgânica das Eleições nem comprometem o princípio da inviolabilidade dos votos.
A votação no exterior teve um impacto significativo na eleição; Keiko Fujimori obteve mais de 80 mil votos nessa categoria. Caso as seções eleitorais no exterior fossem anuladas, isso poderia ter modificado o resultado final das eleições. O grupo da candidata conservadora tem pressionado as autoridades eleitorais para acelerar o processo e classificou as ações adversárias como antidemocráticas.
Em um contexto semelhante em 2021, Fujimori havia perdido por uma margem parecida e buscado anular milhares de seções eleitorais em áreas rurais que favoreceram Pedro Castillo.