Kalshi e Polymarket movimentam US$ 20 milhões em apostas políticas nos EUA

O mercado de apostas em eventos políticos nos Estados Unidos cresceu de forma acelerada, e com ele surgem preocupações sobre o uso de informações privilegiadas. Uma nova análise da organização apartidária Anti-Corruption Data Collective, obtida pela CNN, revela que plataformas como Kalshi e Polymarket movimentaram mais de US$ 20 milhões (cerca de R$ 99,8 milhões) em negociações ligadas a temas específicos das eleições de meio de mandato deste ano.
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Os chamados “mercados de informações previsíveis” vão muito além de apostar em quem vence ou perde uma disputa. Eles permitem palpites sobre a desistência de candidatos, grandes apoios políticos, os locais onde o presidente fará campanha e até o que os políticos dirão em discursos e debates — os “mercados de menções”.
Risco de informações privilegiadas preocupa especialistas
Para Michael Hornsby, codiretor do Anti-Corruption Data Collective, o problema está justamente na legalidade dessas apostas. “Isso é legal, e é aí que reside parte do problema. Todas essas informações são acessíveis aos candidatos, às suas equipes de campanha e às pessoas próximas a eles”, afirmou.
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Hornsby diz que as empresas estão “criando um incentivo para que futuros servidores públicos negociem com base em informações privilegiadas”. A preocupação ganhou força depois que um funcionário da Kalshi foi multado em US$ 65 mil (aproximadamente R$ 324,4 mil) por negociações relacionadas a discursos de Donald Trump, encerrando uma investigação civil.
As plataformas afirmam ter tolerância zero para esse tipo de prática. Até agora em 2026, a Kalshi suspendeu pelo menos seis candidatos que apostaram nas próprias disputas eleitorais. Bobby DeNault, chefe de fiscalização da Kalshi, disse em comunicado que a empresa monitora os mercados em busca de irregularidades e que “pode ser mais simples comprovar o uso de informações privilegiadas em alguns desses casos, pois a informação relevante é mais restrita”.
Mercados específicos e o caso Platner
A administração Trump tentou proibir as apostas em resultados eleitorais, mas um tribunal federal de apelações barrou a medida em outubro de 2024. Agora, o governo apoia os mercados de previsão e finaliza regulamentações que permitem que eles prosperem.
Com isso, os sites oferecem, em média, 44 mercados específicos para cada disputa eleitoral.
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O relatório do Anti-Corruption Data Collective apontou movimentações suspeitas em um mercado sobre a desistência de Graham Platner, candidato democrata ao Senado pelo Maine. Platner venceu a indicação em junho, mas semanas depois foi acusado de estupro — o que ele nega.
Com o apoio do partido em frangalhos, ele desistiu da disputa em poucos dias.
Pesquisadores identificaram dezenas de apostas de alto risco e alto retorno prevendo a saída de Platner, feitas na noite anterior e momentos antes de a acusação se tornar pública. Os padrões não comprovam uso de informação privilegiada, mas um articulador do Partido Democrata disse à CNN que a notícia negativa já circulava havia pelo menos uma semana: “Tornou-se um segredo mal guardado no Maine e em Washington, DC.”
Kalshi diz seguir regras mais rígidas que a lei federal
Em conversa com repórteres na terça-feira (6), o lobista da Kalshi, John Bivona, afirmou que a empresa impede candidatos, integrantes de campanhas, dirigentes partidários, fornecedores e pesquisadores de participar de mercados que possam influenciar. “Seguimos um padrão mais rigoroso do que a lei federal sobre insider trading”, disse, acrescentando que a empresa monitora todas as negociações em busca de “momentos suspeitos e atividades coordenadas”.
A Polymarket, por sua vez, contratou um ex-agente do FBI para liderar investigações e encaminha casos ao Departamento de Justiça. Um porta-voz da empresa disse à CNN que há um “sistema de monitoramento de última geração” para proteger os mercados políticos. “As ações e decisões de agentes políticos têm impactos enormes sobre os americanos.
Nossos mercados trazem transparência sobre decisões que não deveriam ficar restritas a lobistas e doadores”, afirmou o porta-voz.
Atualmente, a legislação federal classifica como crime negociar com base em informações não públicas quando há dever de confidencialidade. Acusações também podem recair sobre quem negocia com base em dicas de pessoas obrigadas a manter sigilo.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



